Líderes da América Central antecipam cúpula regional para hoje

Agência ANSA

MANÁGUA - Os presidentes da América Central se reunirão na noite de hoje na Nicarágua para analisar a crise em Honduras, onde o presidente do país, Manuel Zelaya, foi alvo de um golpe de Estado.

O porta-voz da presidência da Guatemala, Fernando Barrilas, informou que os presidentes centro-americanos "foram convocados para uma reunião de emergência nesta noite em Manágua", por iniciativa do presidente nicaraguense, Daniel Ortega.

O guatemalteco Álvaro Colom viajará nas próximas horas para o encontro. Segundo informou o porta-voz, a cúpula do Sistema de Integração Centro-Americano (Sica), que aconteceria amanhã, será iniciada ainda hoje. Além de Guatemala, Honduras e Nicarágua, compõem o Sica o Panamá, Costa Rica, El Salvador, Belize e República Dominicana.

O governo da Guatemala também anunciou sua condenação ao golpe contra Zelaya e advertiu que "não reconhecerá nenhuma autoridade estabelecida a partir deste rompimento constitucional".

Em San Salvador, o presidente de El Salvador, Mauricio Funes disse que seu governo, "diante do golpe de Estado cometido contra a irmã República de Honduras, manifesta seu profundo repúdio e energética condenação à ruptura da ordem constitucional".

O mandatário também anunciou que ordenou às Forças Armadas salvadorenhas que reforcem as fronteiras com Honduras e que deixem prontas aeronaves para retirarem de Honduras os salvadorenhos que precisem de refúgio.

Zelaya, que foi retirado de sua casa na madrugada de hoje pelo Exército, chegou à Costa Rica, onde foi recebido como "hóspede" por seu homólogo Oscar Arias. Há pouco, os dois presidentes haviam confirmado a participação no encontro do Sica, que ainda não havia sido antecipado.

Também hoje, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, que havia condenado o golpe contra o mandatário, afirmou que o presidente da Suprema Corte de Honduras, Jorge Rivera, explicou o motivo da destituição. "Acabei de falar por telefone com o presidente da Suprema Corte que me disse que a crise foi produzida no momento em que se pretendia realizar a consulta".

Segundo o secretário da entidade, Rivera contou que o governo hondurenho pretendia realizar uma consulta sobre uma assembleia constituinte e não sobre um novo referendo.

- Eu disse que tinha entendido que a consulta era para ver se chamava ou não a uma assembleia constituinte, mas me disse que não, que o texto da consulta se referia diretamente a uma Assembleia Constituinte - afirmou Insulza.

A consulta, que seria realizada neste domingo, era considerada ilegal pela Suprema Corte da Justiça, o Congresso, o Supremo Tribunal Eleitoral e outras instituições do Estado.