Possíveis rumos e cenários para Cristina depois de votação

Da redação, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Mesmo enfraquecida, presidente teria cinco meses para avançar agenda

Os Kirchner enfrentam neste domingo seu maior desafio político desde a chegaram de Cristina ao poder em 2003, ao disputar eleições legislativas nas quais podem perder sua maioria no Congresso diante dos avanços de forças neoliberais, socialdemocratas e peronistas de direita, segundo pesquisas.

Conhecidos por implementarem medidas econômicas heterodoxas, a política dos Kirchner deve permanecer imprevisível, independentemente do resultado das eleições, sugeriram analistas à Reuters. Resta saber se o governo tomará as medidas necessárias para ter acesso a mercados internacionais de crédito para ajudar a pagar cerca de US $ 20 bilhões em dívidas que vencem até o fim de 2010.

Para voltar aos mercados de crédito, o governo terá de restaurar a credibilidade em seus dados econômicos altamente questionados, que, segundo analistas, infla o crescimento e subestima a taxa de inflação, do desemprego e dos níveis de pobreza.

Para demonstrar boa vontade aos mercados, analistas apontam que o governo terá de reparar

as relações com o Fundo Monetário Internacional e consentir uma

avaliação econômica do FMI na Argentina.

Resultado

Se Néstor Kirchner vencer em Buenos Aires mas o governo perder a maioria no Congresso, o governo deve continuar a ampliar o papel do Estado na economia. Segundo os analistas, o governo interpretará até mesmo uma vitória estreita de Kirchner como um sinal de apoio público para suas políticas, pois enfatizariam o fato de ele ter recebido o maior número de votos de qualquer candidato nas eleições.

Se Kirchner for derrotado e a presidente perder sua maioria no Congresso, o governo ainda poderá ignorar pedidos de mudanças na política econômica, pois o novo Congresso só assumirá em dezembro. Nesse caso, os Kirchner devem usar os próximos cinco meses para avançar sua agenda.

Cristina poderá, por exemplo, fazer uso de decretos para sancionar medidas políticas impopulares,

ou pressionar companhias e setores através das agências reguladoras

para que aceitem as políticas governamentais.

Se o poder político dos Kirchner for enfraquecido nas eleições, a pressão por novas políticas econômicas pode surgir de dentro do seu próprio partido. Muitos legisladores peronistas de áreas rurais apoiam os fazendeiros e acreditam que o governo deve interferir menos nos mercados agrícolas e reduzir os impostos sobre exportações.

Tensões entre governistas e a comunidade empresarial também devem aumentar na medida em que Cristina busca mostrar que permanece politicamente poderosa através da nacionalização de grandes empresas. Em outra abordagem, analistas sugerem que Cristina poderia refazer seu gabinete para buscar um consenso mais amplo com líderes políticos e empresariais sobre temas econômicos.