Paramilitares pró-britânicos da Irlanda do Norte entregam armas

Anne Cadwallader, REUTERS

SÃO PAULO - Forças paramilitares pró-britânicas afirmaram neste sábado que tinham completado um importante marco no processo de paz da Irlanda do Norte ao entregarem suas armas diante de testemunhas independentes.

A atitude, confirmada pelos governos britânico e irlandês, reforçou o compromisso de acabar com a violência na região, mas não removeu a ameaça de grupos radicais divisores que operam em ambos os lados.

"As lideranças da Força Voluntária Ulster (UFV na sigla em inglês) e do Comando Mão Vermelha (RHC) hoje completaram o processo de entrega total e irreversível do arsenal," disseram os grupos.

O comunicado foi lido a jornalistas em Belfast por um homem que representa os grupos, vestido em trajes civis uma mudança em comparação com os tempos em que o porta-voz dos paramilitares falava à mídia usando uma máscara com armas à mão.

Organizações protestantes que querem manter a Irlanda do Norte ligada ao Reino Unido eram pressionadas nos últimos anos a começarem a se livrar das armas, após a decisão do Exército Republicano Irlandês (IRA) de entregar suas armas, em 2005.

"As lideranças da UVF e da RHC cumpriram aquilo que disseram que fariam," disse Shaun Woodward, secretário de Estado britânico para a Irlanda do Norte, confirmando que a UVF e a RHC tinham concluído o desarmamento em cooperação com um órgão independente.

A Irlanda do Norte vive um período de relativa paz desde que um acordo de 1998 acabou com a campanha militar de 30 anos do católico IRA para dar fim ao controle britânico da província, viabilizando sua união com a Irlanda.

Esforços para consolidar a paz foram desafiados em março, quando grupos republicanos radicais como o IRA Autêntico e o IRA Continuidade mataram dois soldados britânicos e um policial. Mas a forte condenação dos ataques em todos os lados do espectro político acabaram unindo a maioria da população em favor do prosseguimento do processo de paz.