Eleitores uruguaios escolhem seus candidatos às presidenciais

Agência ANSA

MONTEVIDÉU - Cerca de 1,3 milhão de uruguaios são esperados nas votações das prévias de partidos deste domingo, que elegerão os candidatos das oito legendas que irão disputar as presidenciais de 25 de outubro.

Embora sejam oito os partidos que realizarão suas internas, as disputas principais, que marcarão o turno, ocorrerão na Frente Ampla, atualmente no governo com o presidente Tabaré Vázquez, e no Partido Nacional, maior força de oposição do país.

Pela primeira vez, a Frente Ampla apresenta três pré-candidatos: o ex-guerrilheiro tupamaro e senador José Mujica, que aparece à frente, segundo pesquisas de opinião; o senador e ex-ministro da Economia, Danilo Astori, que conta com o apoio de Vàzquez; e o prefeito de Canelones, Marcos Carámbula, que é o terceiro na preferência do eleitorado.

Mujica, de 74 anos, que por diversas ocasiões se disse alinhado à gestão do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, "expressa a tradição da esquerda que é mais intervencionista, mais partidária ao protecionismo, à integração regional, ao Mercosul, mais próxima ao mundo do trabalho", opinou à ANSA o analista Adolfo Garcé.

Já no Partido Nacional, o nome mais cotado à candidatura é o de Luis Lacalle, que já governou o país entre 1990 e 1995. Lacalle, de 67 anos, representa "muito bem as ideias liberais" e do "mundo das empresas", segundo o analista.

Outros partidos que realizam suas prévias são o Colorado, o Independente, a Assembleia Popular, o dos Trabalhadores, o Comuna e o Quatro Pontos Cardinais.

Dos 2,6 milhões de eleitores habilitados espera-se o comparecimento de pelo menos 50%, já que o voto nas prévias não é obrigatório. Também estima-se que entre dois e três mil uruguaios que vivem na Argentina retornem ao país para expressar sua preferência eleitoral.

As urnas serão abertas às 8h, no horário de Brasília, e fechadas às 19h30. Os primeiros resultados serão divulgados pela Corte Eleitoral ainda na noite de domingo, quando se aguarda que os partidos anunciem a chapa para a disputa com os vices que acompanharão os candidatos eleitos.

Para o pleito, foram convocados 23 mil efetivos, entre militares e policiais, e mais de 41 mil pessoas para trabalharem nos centros de votação. Observadores de Paraguai, Panamá, Colômbia, Costa Rica e República Dominicana também acompanharão as votações.

As internas dos partidos foram instauradas no Uruguai com a reforma constitucional de 1997 e em suas primeiras votações, em 1999, participaram 54% dos eleitores. Em 2004, contudo, esse número sofreu uma queda de 10%.