Violência no Irã domina discussões de encontro de chanceleres do G8

Agência ANSA

TRIESTE - Os chanceleres dos sete países mais ricos do mundo e da Rússia, que juntos formam o Grupo dos Oito, expressaram hoje sua preocupação pela crise política no Irã, ao mesmo tempo em que afirmaram que 'a porta do diálogo está aberta'. - A porta do diálogo está aberta, mas o tempo não é ilimitado, e nos próximos meses o G8 verificará se a mão estendida ao diálogo foi aceita pelo Irã - disse o ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, anfitrião do encontro que ocorre desde ontem na cidade italiana de Trieste.

Ao concluir o segundo dia de deliberações em preparação à Cúpula do G8, os ministros pediram em uma declaração formal uma solução pacífica ao conflito no Irã e lamentaram as mortes nos confrontos durante manifestações lideradas pela oposição, que denunciou fraude nas eleições de 12 de junho.

Nos últimos dias, milhares de pessoas saíram às ruas da capital Teerã defendendo a anulação do pleito, no qual o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi reeleito com mais de 60% dos votos.

Separadamente, os ministros também falaram sobre o tema. Para o chanceler russo, Serghei Lavrov, a situação desse país é muito preocupante. - Naturalmente expressamos uma séria preocupação pelo uso da força e pela morte dos cidadãos - disse.

Já o chanceler francês, Bernard Kouchner, afirmou que o grupo chegou a uma posição comum sobre a violência no Irã, em particular sobre a atribuída às forças governamentais contra os opositores. - Não mudamos nossas posições, nem eu e nem meus colegas europeus - afirmou.

O ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, interpretou que "na declaração final usamos uma linguagem clara para condenar as limitações à liberdade" no Irã. - O que vimos em Teerã, a repressão brutal contra quem manifesta para reivindicar um direito legitimo, é insuportável - acrescentou.

Entre os dias 8 e 10 de julho, a cidade de L'Aquila receberá os chefes de Governo dos países do G8, que discutirão assuntos relacionados à nova geopolítica mundial, assim como questões relativas ao aquecimento global, entre outros temas. Foram convidadas também as economias emergentes Brasil, México, Egito, China, Índia e África do Sul.