Ministro nega emergência por gripe e prevê eleições tranquilas

Agência ANSA

BUENOS AIRES - O ministro do Interior da Argentina, Florencio Randazzo, garantiu nesta sexta-feira que as eleições legislativas de domingo, em que deverão ir às urnas mais de 27 milhões de pessoas, ocorrerão em clima de absoluta tranquilidade.

"Não há razão alguma para que a votação não seja tranquila", afirmou. Randazzo disse confiar nos 160 mil argentinos que trabalharão como mesários. "Estas pessoas sairão de suas casas para cumprir um dever cívico, e nenhum deles trabalhará para fraudar a vontade popular", complementou.

Nos últimos dias, cresceram entre setores da oposição boatos de que o governo poderia alterar os resultados do pleito caso seus candidatos saíssem derrotados. Ao se referir a estas afirmações, o ministro disse que não há nenhuma possibilidade de fraude.

"Pela primeira vez, a Justiça [Eleitoral] conta com procedimentos muito mais apurados", explicou. Segundo ele, "a ideia de fraude é uma irresponsabilidade usada pela oposição para deslegitimar políticos eleitos pela vontade do povo".

No domingo, os argentinos renovarão metade das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados e um terço dos 72 assentos do Senado. As campanhas foram encerradas oficialmente nesta sexta-feira, e durante os próximos dois dias será proibida a realização de qualquer ato político ou partidário.

Para a presidente Cristina Kirchner, o pleito tem uma grande importância porque, caso candidatos governistas sejam derrotados em colégios eleitorais representativos, o Executivo perderá a maioria no Congresso.

O principal ponto da disputa se dá na Província de Buenos Aires, onde estão 38,9% dos eleitores do país. Lá, a Frente pela Vitória, sublegenda do Partido Justicialista (peronista), incluiu nomes de peso em sua relação de candidatos na tentativa de puxar votos.

Quem encabeça a lista é o ex-presidente Néstor Kirchner, marido de Cristina, que governou o país entre 2003 e 2007. Acompanham-no o governador de Buenos Aires, Daniel Scioli, e o chefe de gabinete do Executivo, Sergio Massa.

Seu principal adversário é o empresário Francisco de Narváez, que concorre pela aliança União-PRO, formada por dissidentes do peronismo e pelo partido conservador Proposta Republicana (PRO), liderado pelo chefe de Governo da cidade de Buenos Aires, Mauricio Macri.

As últimas pesquisas de intenção de voto apontam grande equilíbrio entre as duas forças, mas com pequenas margens de vantagem para Kirchner.

Gripe

Questionado sobre a preocupação por causa da epidemia da gripe A (H1N1), Randazzo disse que as autoridades tomaram todas as medidas de segurança necessárias para evitar que o vírus causador da doença se dissemine entre eleitores.

Entre estas iniciativas estão a esterilização de escolas onde serão montadas as urnas e a distribuição de embalagens de álcool em gel para o uso de mesários e eleitores. A Argentina tem quase 1.500 casos da enfermidade, com 23 mortes.