Médico foge do Irã após assassinato de Neda

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LONDRES - Uma pessoa que aparece em vídeos na internet ajudando Neda, a jovem mulher iraniana assassinada na semana passada que se tornou um ícone dos protestos no país, foi identificada por um jornal britânico nesta sexta-feira como um médico que tinha acabado de fugir do Irã.

- Eu sinto que ela estava tentando perguntar uma questão, 'Por quê?' - disse o médico Arash Hejazi ao jornal Times, enquanto lembrava os momentos finais da vida da jovem, com sangue escorrendo de seu corpo.

- Ela era apenas uma pessoa na rua que lutava contra a injustiça que estava ocorrendo em seu país, e por isso ela foi assassinada - disse Hejazi, um iraniano que mora na Grã-Bretanha, mas foi a Teerã em uma viagem de negócios.

Hejazi afirmou que Neda Agha Soltan, uma estudante de música de 26 anos, foi assassinada por um miliciano do governo.

O Irã tem acusado o Ocidente, particularmente a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, de incitar a violência. A televisão estatal tem atribuído a violência a 'terroristas' e 'vândalos'.

Hejazi, de 38 anos, disse que fugiu do Irã quando o vídeo correu o mundo em sites porque ele temeu que sua própria vida estivesse em perigo enquanto ele fosse visto com Soltan.

Antes de tentar sair, ele disse que escreveu a um amigo na Grã-Bretanha para dizer que esperava se juntar a sua família na cidade universitária de Oxford, onde estava estudando: 'Se algo acontecer comigo, por favor tome conta da minha mulher e meu filho'.

O médico disse que saiu às ruas em Teerã apenas quando ele e alguns amigos ouviram a comoção.

Hejazi contou que a morte de Soltan poderá sempre assombrá-lo, mas estava feliz por ela ter se tornado um símbolo global. - Deste jeito, seu sangue não é desperdiçado, e ela não morreu em vão - disse ele.