Honduras: crise acirra abismo entre os poderes e isola Executivo

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - A situação em Honduras se complica a cada minuto e aumenta a tensão política que vive o país. Depois de o Exército ter tomado as ruas depois da destituição do chefe de Estado maior, general Romeo Vásquez, e a demissão do ministro da Defesa, Edmundo Orellana que se opõe à reforma constitucional proposta pelo Executivo os militares se negaram a colaborar com o presidente, Manuel Zelaya, e juntaram-se ao Legislativo e Judiciário, que declarou ser ilegal o referendo previsto para domingo.

Sexta-feira, o governo iniciou a distribuição do material para realizar a consulta popular sobre reforma constitucional, enquanto milhares de hondurenhos protestavam em Tegucigalpa e San Pedro Sula contra a iniciativa do presidente.

Segundo Eduardo Enrique Reina, secretário do mandatário, a distribuição do material, que inclui 15 mil urnas, começou com a participação de voluntários, entre os quais camponeses.

Na consulta popular, que será organizada pelo Instituto Nacional de Estatística, os hondurenhos dirão se querem votar em 29 de novembro, data da realização de eleições gerais no país, a favor de uma Assembleia Constituinte.

Apesar de a Suprema Corte, o Parlamento, o Ministério Público e o Tribunal Superior de Contas, entre outros órgãos, declararem ilegal a consulta impulsionada desde novembro pelo governo, Reina alega que que só se opõem à consulta grupos de poder que não querem que o povo seja consultado para fortalecer a democracia .

Enquanto Zelaya comandava da residência presidencial a distribuição do material, mais de 10 mil pessoas protestavam contra a consulta, com passeatas e vigílias em Tegucigalpa e San Pedro Sula, as duas cidades mais importantes do país.

Até a noite de sexta-feira, o Exército continuava com um grande número de oficiais em locais estratégicos da capital.

A confusão aumentou com o pedido do presidente ao Exército de se encarregar de instalar a maquinaria para que os hondurenhos possam votar domingo, enquanto o tribunal eleitoral único capacitado legalmente para esse tipo de consulta ordenou aos militares que não permitam a instalação das urnas.

A consulta de domingo seria um primeiro passo para o projeto de Zelaya de reformar a Constituição para seguir no poder, de modo que os hondurenhos mostrem o quanto estão satisfeitos com o governo.

Em cadeia nacional, Zelaya apareceu acompanhado de lideranças sindicais, camponesas, indígenas, municipais, jurídicas, estudantis e políticas, que apoiam o referendo, e pediu calma à população.

Países-membros da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) apoiaram Zelaya e criticaram a oposição, que conta com o apoio de partidos tradicionais, empresários, imprensa e lideres religiosos.

A situação crítica levou à uma reunião de emergência da OEA, que se disse preocupada, mas aprovou resolução na qual apoia Honduras para preservar e fortalecer suas instituições democráticas, e prevê o envio de uma comissão ao país.