Fidel compara presidente hondurenho a chileno Salvador Allende

Agência ANSA

HAVANA - O ex-presidente cubano Fidel Castro comparou hoje o mandatário hondurenho, Manuel Zelaya, com o ex-líder chileno Salvador Allende, morto durante o golpe de Estado que colocou Augusto Pinochet no poder, em 1973.

Em um artigo publicado na imprensa cubana, Fidel ressaltou que Zelaya passará para a história. Atualmente, o presidente hondurenho trava uma disputa política com o Congresso Nacional e com a Corte Suprema de Justiça pela realização de uma consulta popular marcada para o próximo domingo.

O pleito perguntará aos eleitores se eles concordam com a realização de um referendo em novembro, sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte, que escreva uma nova Carta Magna do país.

Zelaya tem o apoio de líderes sindicais, estudantis, camponeses, indígenas e de parte dos magistrados do país. Contudo, a oposição o acusa de querer permanecer no poder após o fim de seu mandato, em janeiro de 2010. Os opositores são apoiados por partidos tradicionais, líderes religiosos e setores empresariais.

Nos últimos dias, após o Congresso Nacional aprovar a lei que regulamenta a realização de referendos no país, intensificaram-se rumores de que um golpe de Estado estaria sendo tramado por membros da alta cúpula das Forças Armadas.

Com a nova norma, a consulta de domingo e o possível referendo de novembro são considerados ilegais por não atenderem a uma série de exigências previstas no texto votado.

- Não sabemos o que acontecerá nesta noite ou amanhã em Honduras, mas a conduta valente de Zelaya passará à história - destacou Fidel, referindo-se à possibilidade de golpe.

O ex-presidente cubano elogiou o discurso de Zelaya feito ontem em cadeia nacional. - Foi impressionante vê-lo discursando ao povo de Honduras. Denunciava energicamente a tosca tentativa reacionária de impedir uma importante consulta popular - analisou.

- Suas palavras nos faziam lembrar o discurso do presidente Salvador Allende enquanto os aviões de guerra bombardeavam o Palácio Presidencial, onde morreu heroicamente - lembrou ainda Fidel.

Também o presidente venezuelano, Hugo Chávez, demonstrou seu apoio ao hondurenho e afirmou que "está acontecendo um golpe de Estado" no país, acrescentando que não ficará de braços cruzados se tentarem derrubar Zelaya. - É a burguesia, toda essa aliança de forças burguesas retrógradas que estão tratando de frear a convocação de uma consulta popular - disse Chávez.

Na quarta-feira, Zelaya destituiu o chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, general Romeo Vásquez, e aceitou a renúncia do ministro da Defesa, Edmundo Orellana. Ambos se opuseram à realização do referendo. Mas, ontem, a Corte Suprema decidiu pela reintegração de Vasquez, por considerar ilegal sua destituição. Apesar disso, o mandatário não acatou a resolução da Justiça, alegando ser o comandante supremo das Forças Armadas e ter autonomia para destituir o militar.