Clérigo iraniano diz que 'baderneiros' deveriam ser executados

REUTERS

TEERÃ - Um clérigo iraniano conservador pediu nesta sexta-feira a execução de 'baderneiros', num sinal da intenção das autoridades de reprimir a oposição ao resultado da eleição presidencial realizada em 12 de junho. O principal órgão legislativo do Irã, o Conselho de Guardiães, disse não ter detectado violações no pleito, o qual classificou de a votação mais 'saudável' desde a revolução islâmica de 1979.

O conselho já havia rejeitado pedidos de anulação da eleição, feitos pelo ex-primeiro-ministro Mirhossein Moussavi, um moderado que liderou as manifestações desde que foi declarado segundo colocado na eleição, atrás do atual presidente Mahmoud Ahmadinejad.

- Quero que o Judiciário puna os líderes baderneiros com firmeza e sem mostrar nenhuma clemência para ensinar a todos uma lição - disse Ahmad Khatami numa palestra religiosa na Universidade de Teerã. A TV estatal iraniana disse na quinta-feira que oito integrantes da milícia Basji foram mortos por "baderneiros" durante os protestos. Anteriormente a mídia estatal havia informado que 20 pessoas morreram nas manifestações.

Autoridades iranianas acusam Moussavi de ser o responsável pelo derramamento de sangue, enquanto o ex-premier moderado diz que o culpado é o governo.

Khatami, que é membro da Assembleia de Especialistas, disse que o Judiciário deve acusar os líderes "desordeiros" como sendo "mohareb", pessoa que promove guerra contra Deus. - Eles devem ser punidos brutalmente e de forma selvagem - disse. Pelas leis iranianas, a punição para as pessoas condenadas por serem "mohareb" é a execução.

Os simpatizantes de Moussavi planejam soltar milhares de balões nesta sexta-feira com a mensagem 'Neda, você sempre estará em nossos corações', em memória a Neda Agha Soltan, a jovem morta na semana passada que se tornou um dos ícones das manifestações.

Khatami disse que Neda foi morta pelos próprios manifestantes para propósitos de propaganda. - Ao assistir o filme, qualquer pessoa inteligente vê que os baderneiros a mataram - disse.