Regime iraniano aceita diálogo com oposição

Jornal do Brasil

TEERÃ - O governo iraniano anunciou medidas para apaziguar o clima de tensão política e revolta, instaurado no país desde o anúncio da reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Enquanto o Conselho de Guardiães, principal corpo legislativo no país, ofereceu se reunir nesta sexta-feira com os três candidatos derrotados para discutir suas queixas sobre suposta fraude, nesta sexta-feira o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei deve fazer um discurso na Universidade de Teerã local de confrontos entre estudantes oposicionistas e forças do governo no início da semana no qual buscará renovar sua aliança com a população.

Segundo um porta-voz do governo, os 12 membros do conselho já começaram a examinar cuidadosamente um total de 646 queixas, nas quais a oposição alega fraude na eleição. Entre elas, a falta de cédulas eleitorais, a tentativa de convencer ou forçar pessoas a escolherem um candidato em particular e a proibição ou a expulsão de representantes de candidatos em locais de votação.

Acompanhado de sua mulher e milhares de manifestantes, o principal candidato da oposição, Mir Hossein Mousavi, liderou uma marcha de luto convocada em homenagem às vítimas dos confrontos entre manifestantes oposicionistas e agentes de segurança do governo iraniano. O luto foi também pelos confrontos dentro da Universidade de Teerã que, segundo os alunos, deixaram ao menos quatro mortos e mais de 100 feridos.

Conspiração

Voltando a acusar governos estrangeiros de tentar desestabilizar o regime islâmico, o Ministério de Inteligência do Irã disse ter descoberto uma conspiração terrorista com ligações internacionais para explodir bombas em mesquitas e outros locais movimentados de Teerã durante a eleição.

A transmissora estatal IRIB divulgou um comunicado do ministério segundo o qual diversos grupos terroristas foram descobertos, acrescentando que eles estavam associados a inimigos do Irã, incluindo Israel. O comunicado disse que o complô foi descoberto no dia da eleição.

Segundo organizações de defesa dos direitos humanos, pelo menos 200 ativistas e políticos foram presos por envolvimento nos protestos. Entre eles, Ebrahim Yazdi, reformista de 78 anos, detido enquanto se submetia a exames no Hospital Parsen. O filho de Yazdi, Mehdi Noorbaksh, confirmou que o pai foi levado para a prisão de Evin, nos arredores da capital iraniana. Além disso, a filha e o filho do ex-presidente Akbar Hashemi Rafsandjani foram impedidos pela Justiça do país de abandonar o território iraniano.

A situação no Irã também voltou nesta quinta-feira à pauta dos países estrangeiros. Nesta quinta, o Reino Unido anunciou o congelamento de US$ 1,64 bilhões em verbas do governo iraniano, obedecendo a sanções relacionadas ao programa nuclear do país.