Legislativas ameaçam a hegemonia dos Kirchner

Daniel Merolla (AFP), Jornal do Brasil

BUENOS AIRES - Um renascimento de forças liberais ameaça nas próximas eleições legislativas a hegemonia política que exercem na Argentina a presidente Cristina Kirchner e seu influente marido, o ex-mandatário Néstor Kirchner.

De acordo com analistas, os Kirchner um matrimônio de peronistas antiliberais que compartilha o manejo do governo e de seu partido com mãos de ferro viverão no domingo do dia 28 um dia D , ao colocar em jogo nos comícios o controle que mantêm há seis anos na Câmara dos Deputados e no Senado.

O oficialismo perderá entre três e quatro assentos no Senado, chegando perto de perder a maioria. Entre deputados, terá aproximadamente 16 a menos, perdendo a maioria prevê o cientista político Rosendo Fraga, presidente da consultora Nueva Mayoría.

A maior batalha eleitoral será travada na província de Buenos Aires (centro-oeste), onde Kirchner, chefe do Partido Justicialista (PJ), apresenta-se como candidato a deputado, aliado com o governo peronista e dezenas de prefeitos.

Esta não é mais uma eleição. É a volta ao passado ou a consolidação de um projeto nacional e popular declarou Kircher em ato público.

O maior rival de Kirchner será o magnata empresário Francisco de Narvaéz, que encarna o ressurgimento dentro do PJ das ideias neoliberais do ex-presidente Carlos Menem (1989-1999). O opositor está em aliança com Mauricio Macri, prefeito direitista de Buenos Aires e futuro candidato à Presidência em 2011.

Se Kirchner ganhar na província, lutará contra a propriedade privada, avançará sobre os bancos e seus depósitos, porque precisa de dinheiro, e também contra os meios de comunicação atacou o portenho De Narvaéz.

Macri, por sua vez, não deixou espaço a dúvidas sobre sua orientação política ao afirmar na TV que privatizaria (as reestatizadas Aerolíneas Argentinas e (o sistema de saneamento) AySA .

A oposição, porém, forma um mosaico heterogêneo, representada por líderes peronistas desencantados com os Kircher, sociais-democratas da tradicional União Cívica Radical (UCR) em coalizão com a ex-candidata a presidente liberal-cristã Elisa Carrió, socialistas e minorias esquerdistas.

Segundo projeções da consultora privada Equis, o kirchnerismo e seus aliados conseguiriam em todo o país 35% dos votos, diante da coalizão Carrió-UCR com 25% e a aliança De Narvaéz-Macri com 15%.

Em outubro de 2007, o oficialismo obteve 43% para deputados e agora terá entre 10 e 13 pontos a menos projeta Fraga.

A votação, considerada dramaticamente pelos Kirchner como um plebiscito a seu modelo antiliberal, renovará a metade dos deputados e um terço das cadeiras do Senado.