Voo 447: França e Brasil entram em rota de colisão quanto às autópsias

JB Online

PARIS - O chefe da investigação do acidente com o avião da Air France, Paul-Louis Arslanian, disse nesta quarta-feira que um patologista francês não obteve permissão para participar das autópsias realizadas pelo Brasil nos corpos recuperados. No entanto, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, que coordena os trabalhos de identificação dos corpos, repudiou as alegações. Durante entrevista coletiva, Arslanian se negou a falar mais sobre o assunto, mas depois foi pressionado a dizer se estava insatisfeito com a falta de acesso do médico francês às autópsias. - Não estou contente. No fim, espero obter uma explicação. No momento isto é um fato e nada mais. Por favor, não tentem criar problemas entre a França e o Brasil - afirmou ele.

A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco informou que quatro peritos indicados pela embaixada francesa estão tendo acesso aos trabalhos de identificação dos corpos. - Essa declaração nos pegou de surpresa - disse um assessor da secretaria, que coordena os trabalhos de identificação dos corpos no Instituto Médico Legal (IML) do Recife.

Embarcações brasileiras e francesas ainda estão procurando destroços e corpos do aparelho que caiu no Oceano Atlântico quando se dirigia do Rio de Janeiro para Paris no dia 1º de junho, matando todos os 228 ocupantes.

Paul-Louis Arslanian, chefe da agência encarregada de investigar o acidente, pediu cautela nas especulações quanto às causas do desastre, mas disse que os peritos estão chegando um pouco mais perto de compreender o que aconteceu.

- Estamos chegando um pouco mais perto de nossa meta, mas não me perguntem qual é a porcentagem de esperança - disse Arslanian, enfatizando que as condições em uma área remota do oceano estão entre os maiores desafios na investigação do acidente aéreo.

A agência de investigação informou até o momento que os dados transmitidos do aparelho antes da queda indicam leitura inconsistente de velocidade pelos sensores da aeronave, mas afirmou que ainda é muito cedo para dizer se isso contribuiu para o acidente.

Para estabelecer as causas da queda, a pior na história da Air France, equipes de busca têm de recuperar as caixas de gravação dos dados de voo, as chamadas 'caixas-pretas'.

- A meta é compreender o que aconteceu e para isso nós precisamos de ferramentas e essas ferramentas têm de ser fatos. Os registros (do voo) são registros de fatos. Se nós os tivéssemos teríamos mais fatos à nossa disposição - disse Arslanian.

Com agências