Governo peruano teme sanções dos EUA por decretos da Amazônia

Agência ANSA

LIMA - A ministra do Comércio Exterior e Turismo do Peru, Mercedes Aráoz, comentou hoje que caso não sejam anulados os decretos que permitem para a exploração de recursos naturas da Amazônia, os Estados Unidos podem aplicar sanções ao país devido ao Tratado de Livre Comércio (TLC) entre as duas nações.

- Estamos (em fase de) implementação do TLC e pode ser que o governo norte-americano nos leve a uma solução de disputas, a uma resolução de controvérsias ou a um mecanismo de sanção - declarou a ministra em entrevista a uma rádio local.

A população da região da Amazônia peruana, no norte do país, resiste aos planos do presidente peruano, Alan García, para permitir a exploração dos recursos naturais da região.

No último dia 5 de junho, forças policiais reprimiram indígenas que manifestavam contra os decretos presidenciais, em Bagua, norte do país. O confronto deixou dezenas de mortos.

O primeiro-ministro, Yehude Simon, comprometeu-se com dirigentes de comunidades amazônicas a propor ao Congresso a anulação dos decretos. Os indígenas alegam que as medidas vão prejudicar o meio-ambiente e seus direitos ancestrais sobre o território.

Por sua vez, o relator especial da ONU para os Direitos Humanos e os Direitos Fundamentais dos Povos Indígenas, James Anaya, pediu hoje por uma investigação exaustiva dos fatos do dia 5 de junho em Bagua.

Anaya elogiou o Congresso peruano, por este ter aprovado formar uma comissão que será encarregada desta tarefa. O relator se comprometeu a fazer o que for preciso para que se encontre a verdade dos acontecimentos na região.

Dirigentes indígenas denunciram decapitações, a existência de valas comuns e a incineração de corpos após os confrontos.

Na opinião do representante da ONU, o que aconteceu é consequência da "falta de passos concretos". Segundo o relator, esses passos devem ser dados pelos governos para por em prática a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

"Essas palavras bonitas que estão no papel devem ser postas em prática", expressou.

As declarações foram feiras durante sua apresentação na sessão extraordinária da Comissão Multipartidária encarregada de avaliar os problemas dos povos indígenas.

O representante da ONU foi convocado no Peru pelas parlamentares de oposição, Gloria Ramos e Hilaria Supa, durante a sessão do Fórum Permanente para os Povos Indígenas que acontece na cidade de Nova York, nos Estados Unidos.

Depois da matança do dia 5 de junho, Anaya enviou uma nota ao governo peruano pedindo o respeito à vida humana e aos direitos dos povos indígenas.