Voo 447: Marinha e Aeronáutica encontram mais oito corpos

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - A Aeronáutica informou segunda-feira que mais oito corpos foram resgatados da área de buscas do Airbus da Air France, no Oceano Atlântico, elevando o número total de corpos encontrados para 24. A Marinha e a Aeronáutica informaram também, que, ao contrário do que havia sido divulgado inicialmente, foram encontrados 16 corpos no domingo, e não 17. Todos foram colocados a bordo de navios brasileiros que retornam para a costa pernambucana, onde serão identificados. A Aeronáutica não forneceu maiores detalhes sobre o estado dos corpos.

De acordo com a Força Aérea Brasileira, os oito corpos resgatados segunda-feira foram retirados de uma área a cerca de 440 quilômetros a nordeste das ilhas de São Pedro e São Paulo. A FAB não informou quantos corpos são de homens e quantos são mulheres, nem quando eles devem chegar a Fernando de Noronha. Os oito corpos, encontrados na superfície do oceano, estão a bordo da fragata Bosísio.

Os outros 16 corpos de ocupantes do voo 447 resgatados no domingo devem chegar terça-feira a Fernando de Noronha (PE), de onde serão levados em seguida, por uma aeronave da Aeronáutica, até Recife, para identificação por peritos no Instituto Médico Legal da capital pernambucana.

O erro

A fragata Ventose, da Marinha Francesa, recolheu sete, e não oito corpos como foi informado anteriormente à Coordenação das Buscas , informaram em nota Marinha e Aeronáutica. A contabilidade equivocada da embarcação francesa, atribuída a uma falha na comunicação, foi o que teria gerado a divulgação inicial incorreta do número. Os corpos que estavam na embarcação francesa foram transferidos para a fragata Constituição, da Marinha, e foram conservados em câmaras frigoríficas da embarcação até a chegada à costa brasileira.

Por causa da divulgação errada do número de corpos encontrados no domingo, a Aeronáutica e a Marinha decidiram que só irão revelar à imprensa o número de corpos que estiverem a bordo de navios militares brasileiros. Além disso, o sexo dos corpos das vítimas do voo 447 da Air France que forem resgatados no mar não será informado até à identificação completa por parte dos peritos. O objetivo é evitar uma nova divulgação de informações desencontradas. A diferença no número de corpos à bordo da embarcação francesa só foi notada quando as vítimas foram transferidas para a fragata Constituição.

Os oficiais afastaram completamente a hipótese de a Marinha ter perdido corpos que teriam sido visualizados. Segundo a FAB, as aeronaves avistaram o local onde vários pontos não identificados boiavam, mas a confirmação de que seriam, ou não, corpos, só pode ser feita pelos navios da Marinha.

Ainda não há prazo para o fim das ações de resgate. Uma das primeiras embarcações brasileiras a chegar à área onde estão concentradas as buscas, a cerca de 1.100 quilômetros do Recife (ou 850 quilômetros de Fernando de Noronha), o navio patrulha Grajaú teve que ser substituído por outro semelhante, o Guaíba. A embarcação precisou regressar à sede para reabastecimento. A Marinha brasileira também não descarta a hipótese de reforçar seu efetivo na área caso seja necessário ampliar a área de buscas.

Costas de crocodilo

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, reagiu segunda-feira às críticas de que teria se precipitado ao relacionar os primeiros objetos encontrados no mar durante as buscas ao Airbus da Air France a destroços da aeronave que desapareceu na rota Rio-Paris no dia 1º. Um dia após o ministro ter feito a declaração, a Aeronáutica o desmentiu, apontando que as peças eram de madeira e não poderiam pertencer ao avião. Jobim negou ter errado, argumentando que se referia a uma trilha de destroços que eram do Airbus e que depois se dissiparam no mar.

Tenho costas de crocodilo e arrogância de gaúcho disse, ao ser questionado sobre as críticas, em evento do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo. Acho absolutamente irrelevante o que foi dito pela imprensa francesa porque, na verdade, os destroços eram do próprio avião.

Segundo Jobim, a decisão de confirmar o encontro dos destroços estava relacionada à angústia das famílias das vítimas dos acidentes.

O que se passou era uma tentativa de não se ver o fato e eu me senti seguro de dizer que o Airbus da Air France já havia se despedaçado naquele local. Entretanto as autoridades francesas tinham de ter cautela. Eu fiz aquilo que tinha de fazer e voltaria a fazê-lo se fosse necessário completou o ministro.