De saída do Windsor, familiares cobram mais ajuda do governo

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - A descoberta de mais oito corpos segunda-feira foi recebida com alívio por Maarten Van Sluys e Nelson Faria Marinho, que tinham irmã e filho, respectivamente, entre os passageiros do voo AF 447.

É um alívio estarem resgatando nossos familiares. Ainda que não seja da forma como gostaríamos. Isso gera um pouco de conforto, um alento comentou. Uma nova viagem dos parentes das vítimas, segundo Nelson Faria Marinho, foi descartada pelo oficial militar que estava segunda-feira no Hotel Windsor, onde funciona o centro de atendimento às famílias dos passageiros.

Perguntei ao militar, e ele me disse que não há possibilidade de irmos para lá. Mas se houver um consenso (entre as famílias), vamos reivindicar isso. Mas eu, por mim, não vejo necessidade.

Transferência

Os parentes que ainda estão hospedados no Hotel Windsor serão transferidos terça de manhã para o Hotel Guanabara Palace, no Centro. A mudança será realizada devido a uma grande reserva feita no hotel da Barra antes do acidente. Segunda-feira, grande parte dos parentes que não moram no Rio já tinham partido. Segundo, Maarten, havia apenas quatro quartos ocupados.

Fomos informados de que a infraestrutura será menor do que a que existe aqui contou Maarten Van Sluys. Mas disseram que receberão todas as famílias que quiserem ir para lá.

Maarten Van Sluys não vê demora no trabalho de resgate realizado pela Marinha e pela Aeronáutica. Disse que a operação é difícil e árdua, dificultada pelo clima instável na região e pelo mar agitado.

As correntes marítimas dispersam os fragmentos. O recolhimento das peças tem que ser feito com cuidado. Elas vão ser fundamentais para que se esclareça o acidente.

Nelson Faria Marinho, porém, acha que o tempo que levou para que fossem resgatados os primeiros corpos se deve a um sucateamento da Marinha brasileira.

A demora foi por falta de condições da Marinha. Não tinha as fragatas lá no momento. Tiveram que ser deslocadas do Rio avaliou Marinho. Faço um apelo para o ministro da Justiça, Tarso Genro, para que ele vá se preparando para nos facilitar a documentação. A legislação brasileira é muito morosa e burocrática. Vamos precisar disso tão logo termine este trabalho de recolhimento.

O presidente Lula também foi alvo das críticas de Nelson Marinho. Ele acha que o governo brasileiro poderia dar mais atenção às famílias dos passageiros.

Veio o ministro da França e falou com todas as famílias. Não vi até agora esse tipo de apoio por parte do Lula e do Tarso Genro criticou Marinho. Estou pedindo aqui que eles se manifestem na hora de a gente contar com o governo brasileiro.