Em Cingapura, Gates aborda temas cruciais de segurança na Ásia

Agência AFP

CINGAPURA - O secretário americano de Defesa, Robert Gates, chegou nesta sexta-feira para uma visita oficial a Cingapura, em meio às tensões causadas pelo teste nuclear norte-coreano e à desaprovação da comunidade internacional ao julgamento da líder opositora birmanesa Aung San Suu Kyi.

Em uma conferência de segurança de alto nível na capital cingapuriana, Gates afirmou que os Estados Unidos não aceitarão que a Coreia do Norte obtenha armas nucleares.

"A política dos Estados Unidos não mudou. Nosso objetivo é a desnuclearização completa e inquestionável da península coreana, e nós não vamos aceitar que a Coreia do Norte seja um Estado nuclearizado", afirmou.

Além disso, advertiu, qualquer transferência de armas nucleares ou material atômico por parte da Coreia do Norte será vista como uma "grave ameaça" contra os Estados Unidos e seus aliados.

"A transferência de armas e material nuclear da Coreia do Norte para países ou entidades não-estatais seria considerada uma grave ameaça aos Estados Unidos e nossos aliados", declarou o secretário.

"E nós responsabilizaríamos a Coreia do Norte pelas consequências de uma ação como esta", acrescentou.

"O programa nuclear e as ações da Coreia do Norte constituem uma ameaça à segurança e à paz regional. Reafirmamos nosso compromisso inequívoco com a defesa de nossos aliados na região", indicou o secretário.

Referindo-se à situação em Mianmar, onde a junta militar que governa o país julga mais uma vez a opositora Suu Kyi, Gates disse que o diálogo deve ser retomado, e a líder política, libertada.

"Precisamos ver mudanças reais em Mianmar: a libertação de prisioneiros políticos, incluindo Aung San Suu Kyi, e a instituição de um diálogo significativo entre a junta militar e a oposição", afirmou, reforçando a pressão feita pela comunidade internacional nas últimas semanas em prol de Suu Kyi e da redemocratização do país asiático.

Gates também fez um apelo à China por mais cooperação com os Estados Unidos, agindo com mais transparência no campo da defesa, num momento em que a modernização militar empreendida por Pequim traz grande preocupação a Washington.

"É essencial que Estados Unidos e China encontrem oportunidades para cooperar onde for possível", disse Gates.

"Isso inclui manter um relacionamento no campo da defesa que seja marcado por canais de comunicação e contato consistentes e abertos".

"Por exemplo, é essencial que sejamos transparentes - entre nós e com o resto do mundo - a respeito de nossos objetivos estratégicos, nossas intenções políticas e nosso desenvolvimento militar", destacou.

Por fim, Gates pediu aos aliados asiáticos dos Estados Unidos que se apresentem para ajudar Washington a pacificar e reconstruir o Afeganistão.

"O desafio no Afeganistão é tão complexo, e tão pouco tradicional, que só pode ser enfrentado por todos nós trabalhando em equipe", estimou o secretário.

"Todos precisam contribuir como puderem para uma causa que exige total atenção da comunidade internacional - uma causa que vale o sacrifício e é do interesse nacional de todos".

Gates agradeceu Austrália, Japão, Índia, Nova Zelândia e Cingapura pelas várias formas de apoio oferecidas aos Estados Unidos em seus esforços para acabar com o talibã e normalizar a situação no país.

"Mas o Afeganistão precisa de mais", ponderou.