Berlusconi diz que renunciaria se tivesse mentido sobre jovem

Deepa Babington, REUTERS

ROMA - O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, diante das exigências para explicar seu relacionamento com uma jovem, negou nesta quinta-feira ter tido um "caso passional" e disse que teria que renunciar se fosse flagrado mentindo sobre o assunto.

O relacionamento do líder conservador de 72 anos com uma moça de 18 anos virou uma questão política explosiva na Itália, depois de sua mulher, Veronica, ter pedido o divórcio alegando infidelidade.

Berlusconi negou qualquer comportamento errado ou que tenha mentido em suas explicações aparentemente contraditórias sobre a razão pela qual foi ao 18o aniversário de Noemi Letizia e deu um colar caro a ela. Ele prometeu explicar tudo no Parlamento, mas não definiu uma data para isso.

O premiê disse a repórteres em Roma que, se alguém perguntasse se ele tivera "um relacionamento, digamos, passional ou mais que passional com uma menina menor de idade", sua resposta seria "absolutamente não".

- Já jurei sobre a vida dos meus filhos. E disse que tenho consciência que, se isso fosse um juramento em falso, eu teria que renunciar um minuto depois - disse Berlusconi, que foi eleito pela terceira vez no ano passado e goza de apoio forte nas pesquisas de opinião.

O magnata da mídia normalmente conta com o apoio da liderança católica na Itália, mas agora vem sendo criticado por dar mau exemplo aos jovens do país com seu comportamento e seu segundo divórcio, muito público.

A idade do consentimento sexual na Itália é 16 anos, mas a maioridade é atingida aos 18. Letizia completou 18 anos no mês passado e foi fotografada com Berlusconi em sua festa de aniversário, além de outros eventos no ano passado, quando tinha 17.

A oposição vem criticando o comportamento de Berlusconi antes das eleições europeias de junho, e o líder de centro-esquerda Dario Franceschini, que está em campanha, perguntou aos italianos:

- Vocês gostariam de ver seus filhos criados por este homem?

O comentário foi demais para os filhos de Berlusconi. Eles raramente dão declarações públicas -- se recusaram a tomar partido quando Veronica pediu o divórcio, este mês --, mas reagiram com fúria à observação de Franceschini.

- Irada? Estou indignada. Furiosa. Não, já basta - disse ao jornal Corriere della Sera Marina, filha do primeiro casamento de Berlusconi e presidente da editora Mondadori, que faz parte do império comercial de seu pai.