Potências aceitam sanções à Coreia do Norte, dizem diplomatas

Louis Charbonneau, REUTERS

SÃO PAULO - Os principais países do Conselho de Segurança da ONU aceitaram em princípio que a Coreia do Norte deve enfrentar sanções por causa do seu teste nuclear desta semana, disseram diplomatas ocidentais na quarta-feira.

Eles afirmaram que a decisão saiu de uma reunião na terça-feira entre os cinco membros permanentes do Conselho - EUA, Grã-Bretanha, França, China e Rússia - mais Japão e Coreia do Sul.

"Há um claro compromisso (dos sete países) para partir para sanções", disse um diplomata que pediu anonimato. "Não houve relutância que eu pudesse notar nem da China nem da Rússia."

Um segundo diplomata confirmou o teor dessas declarações.

A China, que tem certa afinidade política com a Coreia do Norte, e a Rússia tradicionalmente relutam em aceitar sanções contra qualquer país da ONU.

Os diplomatas previram que só a partir da semana que vem os sete países envolvidos vão preparar uma resolução a ser discutida pelo plenário do Conselho, que tem 15 membros.

Na segunda-feira, horas depois do teste nuclear norte-coreano, o Conselho de Segurança divulgou uma declaração condenando unanimemente tal ação. Diplomatas dizem que os sete países envolvidos na questão devem voltar a se reunir na quinta ou sexta-feira para discutir uma lista de possíveis sanções.

As fontes diplomáticas disseram que provavelmente a ONU não irá impor novas punições a Pyongyang, preferindo em vez disso cumprir e ampliar as sanções já previstas na resolução 1.718, aprovada em 2006 depois de um primeiro teste nuclear norte-coreano. Em geral, tais sanções têm sido ignoradas.

É possível, por exemplo, que a ONU acrescente novas empresas a uma lista negra de instituições que colaboram com os programas nuclear e de mísseis da Coreia do Norte, além de ampliar o embargo de armas ao regime, de modo a incluir todo e qualquer artefato, e não só armas pesadas.

Podem ser adotadas também mais restrições às relações financeiras e bancárias de Pyongyang com o resto do mundo, restrições a voos e a designação de funcionários norte-coreanos que teriam bens congelados e seriam proibidos de viajar, segundo um dos diplomatas.

Eles disseram que uma preocupação do Conselho é incorporar medidas que prejudiquem apenas os dirigentes norte-coreanos, e não seus 23 milhões de cidadãos, muitos dos quais vivem na miséria.

Outra medida sendo discutida seria a inspeção de cargas que entrem e saiam da Coreia do Norte. Um dos diplomatas disse que esse assunto é muito sensível para a China, vizinha da Coreia do Norte, que reluta em abordar embarcações do país e apreender suas cargas.

Além de condenar o teste nuclear, a resolução deve exigir que Pyongyang evite novas explosões de dispositivos atômicos e retorne às negociações multilaterais sobre seu desarmamento.

O texto deve pressionar o regime também a voltar ao Tratado de Não-Proliferação nuclear, que abandonou em 2003, e a ratificar um tratado internacional que proíbe todos os testes nucleares - algo que China e EUA não ratificaram ainda.