Mil acusados de corrupção no governo do Iraque

Jornal do Brasil

BAGDÁ - A Comissão de Integridade Pública do Iraque, órgão responsável por investigar a corrupção no país, expediu nesta quarta-feira mandados de detenção para cerca de mil funcionários públicos, supostamente envolvidos em esquemas de corrupção. Poucos detalhes foram divulgados, mas o conselho afirma que pelo menos 50 ocupavam altos cargos na estrutura do governo.

De acordo com a comissão, as acusações mais graves envolvem o Ministério do Comércio, onde um grande número de funcionários foi acusado de aceitar suborno em troca de concessões para contratos de importação de alimentos. No Iraque, o Ministério do Comércio é responsável por um enorme programa de racionamento de comida e conta com um orçamento de milhões de dólares para a importação de grãos.

Em entrevista coletiva concedida nesta quarta, o primeiro-ministro Nuri al-Maliki garantiu que irá erradicar qualquer processo de corrupção enquanto o país estiver sob o seu comando.

Vamos instituir reformas e buscar, sem descanso, a verdade prometeu al-Maliki. Não ficaremos de braços cruzados enquanto a corrupção se instala no país. Iremos perseguir até o fim aqueles que são corruptos e levá-los aos tribunais.

No início da semana, al-Maliki acatou a renúncia do ministro do Comércio, Abdul Falah Sudani, que sentira-se pressionado por não conseguir conter os desvios em sua pasta. O ex-ministro, que tem um irmão detido por corrupção e outro que está sendo investigado mas encontra-se foragido, demitiu-se no último dia 14. Desde então o Parlamento segue colhendo dados e analisando seu histórico.

Os irmãos do ex-ministro Sudani trabalhavam como seus assessores, mas ambos desapareceram no fim de abril quando já eram investigados e estavam prestes a serem detidos. A polícia chegou a entrar no prédio do ministério para prender os suspeitos, mas foi recebida a tiros pelos próprios guardas que faziam a segurança do edifício público. Aproveitando a confusão, os irmãos escaparam pela porta dos fundos. Apenas um deles foi detido, após a montagem de um cerco policial.

Uma audiência agendada para hoje, determinará se Sudani, que nega qualquer irregularidade em seu mandato à frente da pasta, terá de pagar pelas acusações direcionadas aos crimes supostamente cometidos durante a sua gestão.

Um relatório publicado pelo comitê anticorrupção do país garante que há 997 mandados de detenção já expedidos, sendo que 53 seriam destinados a ocupantes de altos cargos, como diretores gerais entre outras elevadas atribuições na estrutura da máquina pública. O documento declara ainda que 51 funcionários foram detidos em abril e 69 neste mês, sendo que 33 apenas no domingo.

Terceiro mais corrupto

O juiz iraquiano Rahim al-Ukeili, integrante do Comitê de Transparência no Parlamento, revelou ter recebido no ano passado informações sobre 5.031 casos de corrupção, dos quais 3.027 foram investigados. Há 10 dias, o primeiro-ministro prometeu lutar contra a corrupção na administração pública com a mesma energia que seu governo aplica contra o terrorismo e a criminalidade. A Transparência Internacional (TI) organização independente com sede em Berlim, que luta contra a corrupção coloca o Iraque como o terceiro país mais corrupto do mundo, atrás de Mianmar (governado por um regime militar ditatorial) e da Somália (considerado um Estado fracassado).