Lula e Chávez não fecham acordo para construção de refinaria

Agência ANSA

SÃO PAULO - Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, expressaram nesta terça-feira frustração por não terem chegado a um acordo sobre a construção de uma refinaria entre a Petrobrás e a PDVSA em Pernambuco.

Os dois chefes de Estado se reuniram hoje em Salvador para tratar de acordos bilaterais. É o sexto encontro entre eles neste trimestre. O eventual tratado entre a Petrobras e a estatal de petróleo venezuelana PDVSA está adiado por pelo menos três meses.

- Estou otimista que dentro de 90 dias eles apresentarão uma proposta para concretização do acordo - afirmou o presidente Lula, que explicou ainda que existem detalhes de preço que impedem o pacto.

Uma falha no sistema de som da tradução simultânea durante o encontro fechado captou uma declaração do presidente brasileiro de que caso ele conseguisse eleger a ministra Dilma Roussef nas eleições presidenciais de 2010, ele passaria a ser o presidente da Petrobrás.

Chávez se queixou das condições da Petrobras para que a PDVSA possa participar como sócia de 40% da construção da refinaria. "Confesso que estou frustrado. A conta é de anos. É lamentável. Não fomos capazes de fechar um acordo. A culpa é dos dois governos", desabafou o presidente venezuelano.

- Não podemos conceder um preço diferenciado para a Petrobras. O preço tem que ser de mercado e funciona assim em todo o mundo: em Cuba, Estados Unidos e Rússia - disse o presidente venezuelano antes de assinar outros acordos bilaterais como Brasil.

Chávez solicitou ainda ao presidente Lula a ampliação das linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a realização de obras do metrô de Caracas, a cargo da empresa brasileira Odebrecht.

De acordo com assessores de Chávez há uma negociação em curso com o BNDES para um empréstimo de US$ 732 milhões. O mandatário venezuelano apresentou ao presidente brasileiro as reservas de petróleo de seu país como garantia de pagamento do empréstimo.