Itália: Maioria dos imigrantes pede asilo no país, diz especialista

Agência ANSA

ROMA - O diretor do Comitê Italiano para Refugiados, Christopher Hein, disse nesta quarta-feira que cerca de 70% dos imigrantes que chegaram à Itália no ano passado pelo mar pediram asilo político no país.

Em entrevista à Rádio Vaticana, ele contestou afirmações feitas pelo premier Silvio Berlusconi, que afirmara que boa parte dos estrangeiros que desembarcam na Itália de maneira clandestina não pede o asilo e, além disso, é cooptada pelo crime organizado.

- Esta afirmação é desmentida pelas estatísticas oficiais, pois dos 37 mil imigrantes que entraram na Itália em 2008 por meios marítimos, 70% pediram asilo político e 30% deste total conseguiram - afirmou Hein.

Segundo o funcionário, "o fato de que africanos paguem a organizações criminosas para ir à Europa é fruto de uma política não apenas italiana, mas da União Europeia, em parte devido ao sistema de livre circulação" vigente no bloco.

- Este sistema funciona de tal maneira que nenhum cidadão de outro país, sobretudo se for africano, consegue entrar em território italiano ou europeu de modo regular, porque é muito difícil obter um visto - prosseguiu.

Na semana passada, o governo italiano colocou em prática um novo procedimento de abordagem de imigrantes ilegais. Pela atual estratégia, embarcações interceptadas no mar territorial italiano ou em áreas internacionais são reconduzidas à Líbia, mediante um acordo firmado pelos dois países.

Nos últimos dias, mais de 500 pessoas foram enviadas à Líbia. A iniciativa foi contestada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e por entidades de defesa dos direitos humanos. O Vaticano, por sua vez, tem criticado outras medidas que estariam "criminalizando" a imigração na Itália.

Já a ex-presidente da Comissão Bicameral para a Infância da Itália, Maria Burani Procaccini, disse nesta quarta-feira que a imigração ilegal no país "causa sofrimentos a 100 mil crianças e gera um faturamento de 500 milhões de euros por ano".

- Esta quantia é administrada por organizações marroquinas e eslavas, que investem o dinheiro em atividades criminosas de todos os tipos, desde a compra de armas até o terrorismo internacional. É preciso recordar estes dados quando se fala em evitar as expulsões em alto-mar - assinalou.

Neste sentido, Burani ressaltou que "é necessário integrar os imigrantes legais, recusar os ilegais e proteger as crianças que são vítimas do crime".