Presidente peruano relativiza insultos de Evo Morales

Agência ANSA

LIMA - Alan García, presidente do Peru, relativizou nesta terça-feira as declarações do chefe de Estado boliviano, Evo Morales, que havia criticado duramente o fato de Lima ter concedido asilo político a um ex-ministro boliviano.

Lima havia emitido uma nota, horas antes do discurso de García, na qual considerava "inaceitáveis", as palavras de Morales contra o presidente peruano.

García disse que seu dever é "fomentar a boa vizinhança e a amizade com o povo boliviano", já que ambas nações têm mais a ganhar com uma relação cordial. O presidente peruano evitou referir-se ao termo "chabacano" (grosseiro), utilizado por Morales para qualificar a atitude de García de aceitar o refúgio de "delinqüentes".

Essas expressões de "nenhuma maneira afetarão as relações bilaterais. Minha obrigação é remar no sentido que nos une e evitar responder expressões que sobem o tom", declarou García depois de participar de uma visita de inspeção a um colégio estatal.

- Creio que temos mais a ganhar na relação cordial e permanente, do que nos adjetivos, e acredito que contribua para esse propósito que eu responda assim ao senhor presidente Evo Morales - acrescentou.

- Nós presidentes somos seres passageiros e estamos aqui apenas por um momento na longa história de cada nação (...) Na longa história de nossos países sempre tem sido mais importante o que nos aproxima em termos sociais, raciais, culturais e econômicos, do que as coisas que poderiam ter nos separado - expressou.

García fez as declarações pouco depois da chancelaria peruana ter divulgado, nesta segunda-feira, uma nota de protesto contra o embaixador boliviano em Lima, Franz Solano, para expressar sua enérgica desaprovação aos insultos de Morales, os quais qualificou como "inaceitáveis", segundo o jornal El Comercio.

Na última sexta-feira, dia 8, o Peru concedeu asilo ao ex-ministro boliviano Jorge Torres Obleas e avalia ainda solicitações de asilo dos também ex-ministros bolivianos Mirtha Quevedo e Javier Torres Goitia. Em resposta, Morales disse que esses ex-ministros deixaram o país para evitar o julgamento que deve começar no próximo dia 18, por acontecimentos violentos que causaram 60 mortos em 2003, durante o segundo governo de Gonzalo Sánchez de Lozada na Bolívia.