Guatemala: Vídeo ameaça Presidência de esquerdista Alvaro Colom

Jornal do Brasil

GUATEMALA - Ele chegou ao poder prometendo erguer a Guatemala de uma maré de corrupção, violência e narcotráfico. Agora, Alvaro Colom, o primeiro líder esquerdista do país em 50 anos, luta por sua vida política depois da divulgação de um vídeo em que um advogado assassinado dizia que seria morto por ordens do presidente.

Se você está assistindo esta mensagem, é porque eu fui assassinado por Gustavo Alejos, o secretário privado do presidente, e seu parceiro de negócios Gregorio Valdez, com a aprovação do presidente Alvaro Colom declara Rodrigo Rosenberg, que foi morto a tiros na Cidade da Guatemala no domingo, em fita de vídeo distribuída aos meios midiáticos.

No vídeo, o advogado diz que será morto por tentar expor uma vasta conspiração entre políticos do alto escalão, envolvendo assassinos de uma figura proeminente e sua figura em abril.

Rosenberg, 47 anos, alega que o empresário Khalil Musa e sua filha Marjorie teriam sido assassinados porque Musa recusou-se a colaborar com um esquema de corrupção envolvendo um banco estatal.

Foi a tentativa de recuo de Musa em relação ao esquema que teria levado a seu assassinato, o vídeo alega. Colom, Alejos e Valdez que financiaram a campanha para a Presidência de 2008 acreditaram, segundo o advogado, que Musa denunciaria a corrupção dentro do banco, que envolveria de traficantes de drogas a assassinos . Algumas semanas antes de sua morte, Musa teria sido ameaçado e intimado de modo direto pelos diretores do banco, afirma.

Sentado atrás de uma mesa e falando ao microfone, ele afirma:

Sei exatamente como Alvaro Colom, Sandra Colom [primeira-dama], Gustavo Alejos e Gregorio Valdez foram responsáveis por esse assassinato covarde (...) e eu alertei sobre àqueles que quiseram e puderam ouvir.

Segundo o Times, o governo guatemalteco nega qualquer responsabilidade pela morte de Rosenberg, que foi morto com três tiros por assaltantes não identificados enquanto andava de bicicleta pela capital, na manhã de domingo.

Em uma tentativa de prevenir uma crise política, Colom apareceu em rede nacional na segunda-feira à noite para dizer que as acusações estavam sendo feitas para desestabilizar seu governo e empobrecer a nação.

O presidente, eleito no fim de 2007, insiste nunca ter infringido lei alguma e disse ter ordenado uma investigação completa sobre o assassinato de Rodriguez. Ele garantiu ter pedido ao Ministério Público e à Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala que descubram as circunstâncias que envolveram o crime contra o advogado no domingo.

Nesta terça-feira, o mandatário realizou uma entrevista coletiva para negar as acusações feitas por Rosenberg no vídeo.

Colom, que tem um discurso focado em programas sociais e tem sido frequentemente atacado por uma forte oposição de conservadores, pede aos guatemaltecos que confiem nele neste especial momento de crise. De seu gabinete, ele disse que as acusações foram um teste para nossa Constituição, nossa democracia e nossa harmonia .

Para permitir que as investigações sejam realizadas com rapidez, Colom anunciou que será retirado o estado de calamidade que havia sido instituído para evitar o contágio do vírus da gripe A (H1N1).

O membro da Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala, Carlos Castresana, disse que autenticidade do vídeo e dos documentos supostamente deixados por Rosenberg será verificada.