Berlusconi diz que imigração ilegal alimenta o crime organizado

Agência ANSA

ROMA - O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou hoje que a imigração ilegal alimenta as atividades do crime organizado.

De acordo com o premier, que discursou na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh, parte das pessoas que chegam à Itália de forma clandestina é recrutada por grupos criminosos.

Berlusconi indicou que as precárias embarcações que levam imigrantes ilegais são a forma oferecida por estas organizações às pessoas que, mediante o pagamento de uma passagem, podem deixar seus respectivos países.

Este fato, segundo ele, demonstra que muitos dos estrangeiros não necessariamente "são obrigados [a viajar] pelas situações que vivem em seus países, onde seriam vítimas de injustiças".

O primeiro-ministro fez uma diferenciação entre cidadãos que de fato buscam condições melhores de vida em outros lugares, aos quais a Itália oferece asilo, e aqueles que, ao contrário, são cooptados pelo crime organizado.

- Nós nos sentimos no dever de receber os que escapam de uma situação perigosa para sua vida e sua liberdade - enfatizou Berlusconi. - Não acredito que haja alguém que, tendo os requisitos para pedir o asilo, não o tenha recebido da Itália.

Recentemente, veio à tona uma nova discussão sobre as políticas imigratórias implementadas pelo governo italiano. Na semana passada, as autoridades do país passaram a repatriar estrangeiros antes que estes cheguem à Itália, com a interceptação de suas embarcações ainda no mar.

A estratégia foi duramente criticada por ONGs, pelo Vaticano e pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Ao comentar as afirmações feitas por Berlusconi no Egito, a organização internacional de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) afirmou que a interpretação do premier sobre o atendimento a refugiados é "equivocada".

- Parece que a Itália está tentando reescrever o direito internacional em relação aos refugiados - indicou Bill Frelick, diretor da HRW para o assunto. - Repatriar as pessoas que correm o risco de perseguição, tenham posto ou não um pé em território italiano, é contra as regras.

Frelick explicou que, "rejeitando os barcos e impedindo que os potenciais solicitantes de asilo cheguem a seu território, a Itália não se exime de responsabilidades".