ONU: banho de sangue no Sri Lanka virou realidade

Jornal do Brasil

BRUXELAS - As Nações Unidas (ONU) qualificou como um banho de sangue os ataques de artilharia contra uma faixa de território de menos de cinco quilômetros quadrados no Sri Lanka que deixaram mais de 400 mortos incluindo 103 crianças somente nos últimos dias. Os Tigres do Tâmil e o governo trocaram acusações, antes de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir a guerra.

O chefe de Relações Internacionais dos guerrilheiros separatistas tâmeis, Selvarasa Pathmanathan, pediu que governos de outros países e a comunidade internacional intervenham no Sri Lanka para interromper a ofensiva do Exército cingalês. Em declaração publicada no site Tamilnet, filiado aos rebeldes, Pathmanathan pede intervenção internacional para evitar uma tragédia coletiva.

Os recentes desenvolvimentos em Vanni são muito preocupantes porque eles expressam tão vivamente uma intenção deliberada da parte do Sri Lanka e seus parceiros neste guerra de submeter toda uma comunidade a condições de risco de morte, da maior crueldade disse em comunicado divulgado nesta segunda-feira.

Os trunfos em jogo não poderiam ser mais altos para o Sri Lanka, que não quer ver arrebatada sua vitória convencional iminente na guerra que já se arrasta há 25 anos, nem para os Tigres do Tâmil, que juraram não se render apesar de enfrentar forças governamentais avassaladoras.

Já faz tempo que avisamos sobre a possibilidade de um banho de sangue, e a matança em grande escala de civis no fim de semana, incluindo mais de 100 crianças, parece indicar que o banho de sangue virou realidade disse um porta-voz da ONU, Gordon Weiss.

Num documento interno em março, as Nações Unidas avisaram que civis poderiam ser mortos ou pelo grupo Tigres pela Libertação do Tâmil Eelam, que poderia promover um massacre e tentar atribuí-lo ao governo, ou por um avanço militar indiscriminado.

Os rebeldes atribuíram a matança ao governo, que, por sua vez, disse que a guerrilha disparou contra pessoas que mantém reféns há meses, numa iniciativa de última hora para tentar garantir pressões internacionais por uma trégua, assim evitando sua derrota.