Fim de restrições foi ato calculado, diz líder do Parlamento cubano

Agência ANSA

HAVANA - O presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón, afirmou que a decisão do governo dos Estados Unidos de suspender as restrições a viagens e ao envio de remessas de cidadãos cubano-americanos "foi um ato politicamente calculado".

- Não podemos considerar esta medida como um gesto a Cuba. Foi a consequência de uma decisão política perfeitamente calculada e anunciada de antemão - disse Alarcón, em entrevista à emissora de televisão norte-americana CNN em espanhol. - Se o presidente [norte-americano Barack] Obama quer enviar gestos a Cuba, deveria processar Luis Posada Carriles ou libertar os cinco agentes cubanos presos há dez anos nos Estados Unidos acusados de espionagem.

Luis Posada Carriles é um cidadão cubano, nacionalizado venezuelano, que foi treinado pela CIA e cometeu uma série de atos violentos contra o governo do então presidente Fidel Castro. No maior deles, ocorrido em 1976, ele explodiu uma aeronave da companhia Cubana de Aviação, matando 73 pessoas.

Alarcón acrescentou que a ilha "ainda espera gestos dos Estados Unidos", e reiterou que ao povo cubano não resta fazer nada "a não ser tomar nota e reconhecer os passos realmente válidos, quando estes forem dados".

O parlamentar garantiu que "ainda está de pé" a proposta feita pelo presidente do país, Raúl Castro, que disse estar disposto a discutir "tudo" com Washington, mas lembrou que o diálogo deve ocorrer "em igualdade de condições".

- Os Estados Unidos] devem estar dispostos a escutar muita coisa, porque temos muito a dizer - sustentou.

Segundo ele, o principal tema a ser debatido deve ser a construção de um relacionamento "que esteja de acordo com os princípios do direito internacional".

- Há muitas coisas para mudar, mas quem deve fazer isto? - questionou Alarcón. - Aquele que criou o problema. Cuba não impôs um embargo aos Estados Unidos, não ocupa parte de seu território e não faz listas de condenações - prosseguiu, referindo-se ao relatório do Departamento de Estado norte-americano em que a ilha caribenha foi citada como uma nação que patrocina o terrorismo.