Deputado palestino condena postura de países árabes em visita papal

Agência ANSA

GAZA - O deputado do movimento palestino Hamas, Yunis al Astal, criticou as "boas-vindas" de alguns Estados árabes ao papa Bento XVI, que realiza uma peregrinação à Terra Santa, qualificando-as como "prejudiciais" para o profeta Maomé.

- "Falar sobre Maomé não é prejudicial - afirmou Al-Astal, se referindo ao discurso de Bento XVI feito na Universidade alemã de Regensburgo, quando este citou um diálogo de 1391 entre o imperador bizantino Manuel II e "um persa culto" sobre o Islã, o Cristianismo e as verdades de ambos, citação que foi criticada por setores do islamismo.

Por outro lado, "a saudação e as boas-vindas dos governos (árabes) causam danos maiores" a Maomé (reconhecido líder da religião muçulmana), continuou o parlamentar, que criticou também a postura do Pontífice, afirmando que este apoia a "ocupação" israelense nos territórios palestinos.

Bento XVI é "o papa mais pró-sionista da história da Igreja católica" e deveria ser rejeitado por todos os líderes árabes, declarou Al-Astal, que recentemente foi incluído em uma lista divulgada pelo governo britânico de indivíduos que não podem entrar Reino Unido, por suas posições consideradas "intolerantes".

Por sua vez, representantes do grupo extremista Jihad Islâmica declararam que "o papa está cumprindo uma visita de cortesia às forças de ocupação [israelenses] e esquece as feridas" causadas ao povo palestino.

Após passar três dias na Jordânia, o pontífice chegou esta manhã a Israel, às 11h locais (5h no horário de Brasília), onde recebido em uma cerimônia de boas-vindas pelo presidente Shimon Peres e o primeiro-ministro Benyamin Netanyahu.

Alguns setores políticos e religiosos israelense, contudo, também criticam a presença do pontífice, principalmente após ele ter retirado as excomunhões de quatro bispos tradicionalistas, entre eles o negacionista Richard Williamson, que em declarações públicas negou a existência do Holocausto.