Centenas de civis são mortos em 'banho de sangue' no Sri Lanka

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COLOMBO - As Nações Unidas disseram nesta segunda-feira que os ataques no Sri Lanka, que deixaram centenas de mortos, foram a concretização do 'banho de sangue' que a organização temia há muito tempo. Os Tigres do Tâmil e o governo trocaram acusações, antes de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir a guerra.

No mais recente e maior ataque relatado contra civis presos na zona de guerra, centenas de pessoas foram mortas no domingo e nesta segunda-feira em ataques seguidos de artilharia contra uma faixa de território de menos de cinco quilômetros quadrados que está sob controle dos rebeldes separatistas.

Os trunfos em jogo não poderiam ser mais altos para o Sri Lanka, que não quer ver arrebatada sua vitória convencional iminente na guerra que já se arrasta há 25 anos, nem para os Tigres do Tâmil, que juraram não se render apesar de enfrentar forças governamentais avassaladoras.

- Já faz tempo que avisamos sobre a possibilidade de um banho de sangue, e a matança em grande escala de civis no fim de semana, incluindo mais de cem crianças, parece indicar que o banho de sangue virou realidade - disse o porta-voz da ONU, Gordon Weiss.

Num documento interno em março, as Nações Unidas avisaram que civis poderiam ser mortos ou pelo grupo Tigres pela Libertação do Tâmil Eelam, que poderia promover um massacre e tentar atribuí-lo ao governo, ou por um avanço militar indiscriminado.

Os rebeldes atribuíram a matança ao governo, que, por sua vez, disse que a guerrilha disparou contra pessoas que mantém reféns há meses, numa iniciativa de última hora para tentar garantir pressões internacionais por uma trégua, evitando assim sua derrota.

Um médico na zona de guerra, pago pelo governo mas cuja segurança pessoal depende dos Tigres do Tâmil, disse que pelo menos 433 corpos foram levados a um hospital improvisado e que 1.347 pessoas ficaram feridas em dois dias de disparos de artilharia.