Morales critica asilo a ex-ministros no Peru

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Após ter chamado o presidente peruano, Alan García, de colega vulgar , o presidente da Bolívia, Evo Morales, alertou-o de que seria um grave erro Lima conceder asilo político a ex-ministros bolivianos processados por genocídio e crimes econômicos, e advertiu García de que sua obrigação é expulsá-los e contribuir para que sejam julgados na Bolívia.

Se o governo peruano conceder asilo ou refúgio estaria cometendo um grave delito, porque revisamos as normas do Estado peruano e não podem dar asilo a pessoas que cometeram crimes de lesa-humanidade e que estão sendo acusadas afirmou Morales.

Em um ato popular na cidade de El Alto, Morales pediu ao governo peruano que não ofenda o povo boliviano com a concessão de asilo a esses ex-ministros.

Polêmica

O governo peruano concedeu asilo ao ex-ministro de Desenvolvimento Econômico boliviano Jorge Torres Obleas e avalia os pedidos da ex-ministra de Participação Popular Mirtha Quevedo, do ex-titular do Ministério da Saúde Javier Torres Goitia, do ex-presidente Sánchez de Lozada e de vários dos ministros de seu segundo mandato que são acusados de genocídio pelas 60 mortes geradas na repressão militar durante os protestos que desencadearam na queda do governo de direita do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) em 2003, entre outras acusações.

O ex-presidente renunciou em 17 de outubro deste ano e partiu para os Estados Unidos, onde também moram seus então ministros da Defesa, Carlos Sánchez, e de Hidrocarbonetos, Jorge Berindoague.

Os outros ministros de Sánchez de Lozada que se encontram fora da Bolívia são Yerko Kukov, Guido Áñez e Hugo Carvajal.

Perante a situação, o governo da Bolívia tramitará um processo para evitar que os ex-colaboradores de Sánchez de Lozada fujam de suas responsabilidades, segundo declarações do chanceler David Choquehuanca publicadas domingo em jornais bolivianos.

Choquehuanca afirma que o Peru deve cumprir normas internacionais e leis nacionais que proíbem que se abrigue pessoas que têm que responder na Justiça por crimes de lesa-humanidade, por isso que não se justifica o asilo nos casos citados.

O presidente boliviano, que teve fortes atritos com o colega peruano, a quem chamou por várias vezes de vende pátria e neoliberal , evitou antecipar eventuais represálias a um asilo no Peru de ex-ministros processados.

A abertura do processo contra Sánchez Lozada, na Bolívia, está programada para o próximo dia 18 de maio, enquanto Lozada continua nos Estados Unidos, situação que também motivou duras críticas de Morales a Washington.