Bento XVI pede harmonia entre cristãos e muçulmanos

Philip Pullella e Tom Heneghan, REUTERS

AMÃ - O papa Bento XVI visitou neste sábado uma mesquita em mais uma tentativa de fortalecer laços com o Islã, depois que um discurso do pontífice ofendeu a comunidade islâmica em 2006. O papa também conclamou cristãos e muçulmanos a juntos defenderem a religião das manipulações políticas.

Falando da moderna mesquita do rei Hussein em Amã, ele pediu harmonia e união de propostas entre as duas maiores religiões do mundo, dando continuidade ao tema principal da sua viagem ao Oriente Médio.

- Eu acredito firmemente que cristãos e muçulmanos podem abraçar a tarefa da cooperação particularmente através das nossa respectivas contribuições à aprendizagem, ao conhecimento acadêmico e aos serviço público - afirmou o papa a líderes islâmicos e diplomatas na mesquita.

Dirigindo-se ao papa, o príncipe Ghazi bin Muhammad bin Talal lembrou a 'dor' sentida por muçulmanos ao redor do mundo em 2006, depois que Bento XVI citou um imperador bizantino que disse que o Islã era irracional e violento.

Ghazi, primo do rei da Jordânia Abdullah, disse que os muçulmanos 'apreciaram' a explicação do Vaticano e aceitaram que o papa não estava expressando opinião própria no momento, mas sim fazendo uma citação histórica.

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que o papa não tirou os sapatos ou rezou enquanto estava na mesquita - como fez durante sua primeira visita a uma mesquita, em 2006, na Turquia - mas que fez uma pausa para 'um respeitoso momento de reflexão'.

Lombardi disse que o papa não tirou os sapatos porque seus anfitriões não pediram que o fizesse.

No seu pronunciamento na mesquita, Bento XVI referiu-se a Deus como 'misericordioso e compassivo', usando a expressão que os muçulmanos usam quando falam de Deus.

Bento XVI disse que, embora ninguém possa negar uma história de tensões e divisões, cristãos e muçulmanos devem tentar prevenir 'a manipulação da religião, as vezes para fins políticos'.