Conservador Ricardo Martinelli é eleito presidente do Panamá

JB Online

CIDADE DO PANAMÁ - Os panamenhos votaram neste domingo para escolher seu presidente para os próximos cinco anos, divididos entre a direita, do empresário Ricardo Martinelli, e a esquerda de Balbina Herrera. Após apurados 43,68% dos votos, Martinelli foi declarado eleito.

Proprietário da principal cadeia de supermercados do país, Martinelli é o favorito e conta com o apoio da população de baixa renda, a quem prometeu criar empregos e controlar a inflação. Ele tem ganhado terreno sobre Balbina, candidata do governante Partido Revolucionário Democrático (PRD). Todas as pesquisas dão a Martinelli, líder do partido opositor Mudança Democrática (CD), de 10 a 14 pontos de vantagem sobre a candidata governista.

O vencedor das eleições sucederá o moderado Martín Torrijos. Em seu governo o país alcançou taxas de crescimento de até dois dígitos, apoiado principalmente na exploração do Canal do Panamá. A crise financeira fará com que o país cresça apenas cerca de 3% este ano por conta do esfriamento do comércio mundial e por uma menor demanda do setor de construção.

Filho de italianos, Martinelli, 57 anos, foi educado nos EUA. Promete aumentar o gasto público construindo um trem subterrâneo e apoiando a habitação popular. Tem dito que pretende criar um imposto único, com alíquota de 10 a 20%, para atrair investidores estrangeiros.

Vencedores e perdedores precisam trabalhar para melhorar o país. Os problemas não terminam com a eleição disse Martinelli.

Balbina, 54 anos, tem um passado de enfrentamento com Washington. Ela liderou protestos contra o ex-presidente George H. W. Bush, que visitou o país após invasão dos Estados Unidos em 1989 para derrubar o general Manuel Noriega, ditador preso nos EUA por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Ela tenta minimizar laços com Noriega, que disse ter se escondido na casa da política durante a invasão.

Os candidatos querem finalizar acordo de livre comércio com os EUA, parado no Congresso americano por preocupações com direitos trabalhistas panamenhos e evasão fiscal. Ex-presidente do Panamá de 1989 a 1994, Guillermo Endara, 72 anos, surge como terceira opção e lidera a chapa da Vanguarda Moral da Pátria (VMP). Os eleitores ainda escolheram 71 deputados do Congresso e 20 membros do Parlamento Centro-americano, além de 75 prefeitos e 630 representantes locais.

Nenhum dos dois candidatos colocará em perigo o sistema afirma Arístides Hernández, presidente da agência Latin Consulting.

Os problemas mais urgentes são a insegurança; e a distribuição de renda, a pior da América Latina. O Panamá tem 28% da população na pobreza, a maioria indígena.