Paraguai quer resposta contra medo americano na Tríplice Fronteira

Agência ANSA

ASSUNÇÃO - O governo do Paraguai quer articular junto ao Brasil e à Argentina uma resposta comum ao Departamento de Estado norte-americano, que nesta semana divulgou um relatório no qual voltou a apontar vínculos entre a Tríplice Fronteira e organizações islâmicas tidas como terroristas.

A informação foi confirmada hoje pelo Ministério das Relações Exteriores do Paraguai. Em nota, o órgão afirma que já analisa uma cópia do relatório, solicitada junto à embaixada dos Estados Unidos em Assunção.

No texto, a Chancelaria afirma que uma das possibilidades para discutir o conteúdo do documento seria buscar uma "posição conjunta com Argentina e Brasil". O assunto deverá estar na agenda que o presidente do país, Fernando Lugo, trará ao Brasil, em visita marcada para esta semana.

Também debaterão o assunto os chanceleres do Paraguai, Héctor Lacognata, e da Argentina, Jorge Taiana.

A polêmica teve início na última quinta-feira, quando o Departamento de Estado norte-americano manifestou, em seu relatório anual sobre terrorismo no mundo, preocupação com a presença de supostos simpatizantes dos movimentos Hamas e Hizbollah na Tríplice Fronteira.

Para Washington, há o risco de que estas pessoas arrecadem dinheiro na América do Sul para enviar aos países do mundo árabe, onde seriam financiadas as atividades das organizações. O documento indica ainda que há preocupação com o tráfico de drogas e armas na região.

Como em anos anteriores, o Departamento de Estado incluiu na lista de países patrocinadores do terrorismo Irã, Cuba, Coreia do Norte e Sudão.

Na América Latina, a Venezuela foi mencionada como uma nação que "não coopera completamente" com os esforços antiterroristas, o que causou descontentamento entre as autoridades de Caracas, incluindo o presidente Hugo Chávez.