Não-Alinhados pedem fim do embargo cubano

Agência ANSA

HAVANA - Os representantes do Movimento de Países Não-Alinhados (MNOAL) pediram o fim do embargo imposto a Cuba pelos Estados Unidos no comunicado oficial emitido ao fim da reunião realizada nessa semana em Havana.

Os 112 membros do bloco "reiteraram, mais uma vez, seu pedido ao governo dos Estados Unidos para que ponha fim ao embargo, que causa grandes perdas materiais e danos econômicos ao povo de Cuba", diz o texto. O encontro reuniu 142 delegações e foi encerrado ontem.

Para os países não-alinhados, a hostilidade de Washington em relação à ilha caribenha é unilateral e contrária aos preceitos de organizações multilaterais. O grupo também exigiu a devolução a Cuba da base militar de Guantánamo, onde funciona um centro de detenção norte-americano que deverá ser desativado por ordem da Casa Branca.

O movimento também manifestou solidariedade e ofereceu ao México ajuda para enfrentar a epidemia da gripe A (H1N1), onde mais de 300 pessoas estão doentes e 12 já morreram.

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, colocou-se à disposição para "qualquer necessidade concreta de cooperação médica ou de outra natureza".

Na declaração, as delegações defenderam ainda "a construção de uma nova arquitetura financeira internacional, com voz e participação igualitárias dos países em desenvolvimento".

Além disso, comprometeram-se a dar apoio político e humanitário ao povo palestino, com o objetivo de incrementar os esforços em favor dos direitos humanos e da liberdade.

A próxima reunião do MNOAL ocorrerá em julho no Egito, país que passará a exercer a presidência de turno do bloco, ocupada por Cuba desde 2006.

Ao fazer um balanço do mandato do país, o chanceler Rodríguez destacou uma "revitalização do movimento" e enfatizou que "as relações internacionais ainda não são democráticas".

- O mundo atual inclui extraordinárias desigualdades. Existe uma ordem econômica internacional injusta e excludente, na qual pretende-se excluir os países do sul dos debates - disse.

Na quarta-feira, ao discursar durante a inauguração do encontro, o presidente de Cuba, Raúl Castro, indicou que não é seu país que precisa "fazer gestos de boa vontade" para iniciar o diálogo com os Estados Unidos, já que são os norte-americanos que impõem um bloqueio a Cuba. A sanção está em vigência desde 1962.