Gripe: Epidemia representa risco para toda a humanidade, diz Calderón

Agência ANSA

CIDADE DO MÉXICO - O presidente do México, Felipe Calderón, disse que a epidemia de gripe A (H1N1), antes chamada de gripe suína, representa um risco para toda a humanidade.

- A segurança sanitária não é questão de um só país ou povo. É uma corresponsabilidade de todas as nações e um desafio internacional que cabe a todos enfrentar - disse o mandatário, que recebeu um avião chinês com equipamentos que serão usados no combate à doença.

Entre os itens enviados por Pequim estão três milhões de máscaras cirúrgicas, dois mil pacotes de roupas de isolamento e 96 mil pares de luvas. Além disso, a China concedeu ao México um crédito de US$ 4 milhões e na segunda-feira enviará um segundo avião com mais ajuda.

Paralelamente, o ministro da Saúde mexicano, José Angel Córdova, informou que o número de casos confirmados da gripe no país subiu para 358. O balanço anterior indicava 312 contágios. O número de mortes causadas pela enfermidade também subiu - foi de 12 a 15.

Como já havia dito ontem, em uma entrevista coletiva, Córdova ressaltou que a alta no número de falecimentos não se deve a dados de novas vítimas fatais, e sim a confirmações de quadros clínicos até então considerados suspeitos.

Ele também voltou a falar das restrições impostas à população mexicana para evitar a disseminação do contágio:

- Foram tomadas todas as medidas necessárias para evitar a propagação do vírus.

Há mais de uma semana, lugares em que há grandes concentrações de pessoas estão total ou parcialmente fechados, como restaurantes, bares, cinemas, igrejas, teatros, discotecas e clubes.

Além disso, as aulas estão paralisadas até o dia 6. Ontem, o presidente Calderón anunciou que as todas as atividades que não forem consideradas essenciais permanecerão suspensas até o dia 5, incluindo serviços públicos. Ele também pediu à população que não saia de casa.

O ministro da Saúde indicou que, das 15 mortes confirmadas, 11 ocorreram na capital Cidade do México. Outras duas foram notificadas no estado do México, além de uma em Tlaxcala e outra em Oaxaca.

Pela primeira vez, foi informado que a maioria das vítimas (11) era composta por mulheres, e que nove delas tinham entre 21 e 40 anos de idade.

Suspeita-se que, ao todo, cerca de 3 mil pessoas tenham contraído a gripe no México, mas a maior parte deles não teve problemas de saúde e já está curada.

Ontem, Córdova se disse otimista com a diminuição do número de pessoas que têm procurado os serviços médicos com sintomas suspeitos. De qualquer forma, garantiu que o governo dispõe de 650 mil kits de tratamento contra a gripe e que deve receber mais um milhão da OMS.

- Os antivirais são suficientes - assegurou.

Também hoje, a Organização Mundial da Saúde informou que já são 331 as pessoas infectadas pelo vírus causador da gripe A (H1N1) em todo o mundo. Os pacientes estão espalhados por 11 países diferentes e a situação é mais grave no México e nos Estados Unidos.

De acordo com a entidade, as nações em que há casos confirmados da doença são México (156), Estados Unidos (109), Canadá (34), Espanha (13), Grã-Bretanha (8), Alemanha (3), Nova Zelândia (3), Israel (2), Suíça (1), Áustria (1) e Holanda (1). As mortes são 10, sendo nove no México e uma nos Estados Unidos.

Os números do governo mexicano são maiores porque a OMS demora mais para totalizar os casos reportados em distintas regiões.

Na Alemanha, o Ministério da Saúde anunciou o primeiro quadro de contágio entre habitantes do país. Outros dois novos casos foram reportados na Dinamarca e em Hong Kong, mas ainda não estão incluídos nas estatísticas da OMS.

Em Hong Kong, o paciente é um mexicano que chegou ao território nacional passando pela China. Na Dinamarca, trata-se de um cidadão do país.

A Escócia entrou em alerta depois que foi registrado o primeiro contágio de uma pessoa que não esteve no México.

Nos Estados Unidos, o Centro de Controle de Doenças (CDC) informou que a gripe já afeta 141 pessoas no país, em 19 estados diferentes. As cifras também subiram no Canadá, onde agora há 35 doentes.

No Brasil, o último boletim divulgado indica quatro quadros suspeitos e outros 42 em observação. Ainda não foi confirmado nenhum caso da gripe A no país.