Epidemia de gripe afasta turistas estrangeiros do México

Agência ANSA

CIDADE DO MÉXICO - O secretário de Turismo do México, Rodolfo Elizondo, disse hoje que quase todos os turistas estrangeiros que estavam no país viajaram de volta para casa após a divulgação dos primeiros casos da epidemia da gripe A (H1N1), chamada de gripe suína.

- Ficamos praticamente sem turismo internacional. Neste momento, não podemos fazer nada - disse. - Estive em Cancún e vi aviões que chegam vazios para levar gente que estava aqui.

O balneário, situado na região sudeste, é o principal destino turístico do país e de todo o Caribe. Nos últimos dias, porém, os empresários locais têm vivido um dos piores momentos para seus negócios.

Assustados, turistas estrangeiros estão cancelando visitas. Todos os dias, segundo autoridades, voos procedentes de Estados Unidos, Canadá, Espanha, Alemanha e Reino Unido são cancelados. Quando isto não ocorre, os aviões chegam vazios.

Na semana passada, Argentina, Cuba e Israel decidiram suspender todos as rotas que chegavam e partiam do país com destino ao México.

Durante a semana, Elizondo se reuniu com empresários para discutir o difícil momento atravessado pela economia local.

Ele indicou que, durante os próximos dias, período em que o governo federal decretou um "feriado estendido", com a suspensão de todas as atividades que não sejam essenciais, as praias de Cancún deverão receber um bom número de turistas mexicanos.

- Não é necessário ser pessimista. Neste fim de semana, vocês terão a oportunidade de atender a muitos turistas nacionais. Vamos ver o que acontece - disse ao jornal El Universal.

O pior, no entanto, poderá vir depois, já que 90% dos visitantes que chegam a Cancún são de outros países. Além disso, já há muitos turistas que estavam no local e agora começam a retornar.

- Vamos observar nos próximos dias uma situação muito difícil - alertou o governador do estado de Quintana Roo, onde está o balneário, Félix González Canto.

Segundo ele, a maioria dos estrangeiros que estão deixando Cancún não tomou esta decisão por causa da emergência sanitária, e sim porque os pacotes turísticos que adquiriram têm duração média de uma semana. Canto admitiu, porém, que 20% dos visitantes decidiram antecipar a volta.

A epidemia da gripe A (H1N1) já afeta todo a atividade turística do México. Representantes do setor e prestadores de serviços estimam quedas em suas receitas que podem variar entre 50% e 90% somente para este fim de semana prolongado, que irá até o dia 5.

Com voos e reservas em hotéis cancelados, e a suspensão de paradas de cruzeiros que passariam pela costa do país, pólos como Acapulco, Cancún e Los Cabos, sempre muito procurados, deverão sofrer com a escassez de público.

Além disso, há as restrições impostas por autoridades do país, que exigem o fechamento total ou parcial de lugares em que há grandes concentrações de pessoas, como restaurantes, bares, teatros, cinemas, mercados e danceterias.

Em Guadalajara, por exemplo, 866 estabelecimentos deste tipo estão de portas fechadas. No porto de Lázaro Cárdenas, sul do estado de Michoacán, discotecas e bares não funcionam e a população deixou até de ir à praia.

Em Acapulco, a taxa de ocupação dos hotéis era 38,6% nesta sexta-feira. A vida noturna local, no entanto, sempre muito atrativa para o público jovem, está prejudicada.

Na tentativa de reverter a situação, Elizondo prometeu discutir a elaboração de uma campanha de marketing para recuperar a imagem turística do México após a epidemia.

Até o momento, o governo do país confirmou 15 mortes causadas pela doença. Além disso, há outros 176 falecimentos suspeitos e 358 casos de infecção sendo tratados. Ao todo, cerca de 3 mil pessoas podem estar doentes.

No Brasil, o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde aponta que já são sete os quadros clínicos considerados suspeitos, em que o paciente apresenta todos os principais sintomas da gripe - febre alta, tosse, dores de cabeça, no corpo ou nas articulações, coriza, vômito e diarreia. Outros 41 casos estão sob observação.