América Latina: influência do Irã é inquietante

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, expressou preocupação com a crescente presença e influência da China e do Irã na América Latina. Sexta-feira, a chanceler americana classificou como inquietante a aproximação entre países do continente e as duas potências vistas com cautela por Washington.

Quem observa o progresso, particularmente na América Latina, que o Irã e China estão fazendo, vê que isso é bastante inquietante reforçou Hillary, durante encontro com funcionários do serviço exterior do Departamento de Estado, repetindo uma crítica que já havia sido feita na gestão Bush. Eles estão criando vínculos econômicos e políticos muito fortes com muitos desses líderes. Não acho que isso vá de encontro ao nosso interesse.

Hillary citou o Irã como motivo para o atual governo tentar dialogar com os presidentes da América Latina, escutá-los e tratá-los em igualdade de condições sem impor sua agenda na região.

Ela lembrou que a administração anterior tentou isolá-los, apoiando a oposição, e transformando-os em párias internacionais . Tática que, reconheceu, não funcionou .

Os iranianos estão construindo uma grande embaixada em Manágua. Queremos tentar melhorar nossa relação com [Rafael] Correa e queremos ver se podemos encontrar uma maneira de mandar de novo um embaixador à Bolívia e trabalhar com [o presidente Evo[ Morales acrescentou.

A secretária destacou que os Estados Unidos enfrentam um bloco quase unido que pede mudança na política para Cuba e que já suspenderam as restrições às viagens de parentes e remessas de envio a ilha, mas mantém o embargo. Washington, reiterou, já disse querer ver reciprocidade do governo cubano a respeito de presos políticos, direitos humanos e outros aspectos.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que recentemente chamou Israel de regime racista e acusou seu governo de utilizar politicamente o Holocausto, durante a Conferência Mundial sobre o Racismo da ONU, foi convidado pessoalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a vir ao Brasil. A visita, que está prevista para a próxima semana, foi criticada pelo governo de Israel, que pediu explicações ao Brasil

O embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, acredita que existem afinidades políticas entre Lula e Ahmadinejad, e que essas semelhanças justificam a aproximação entre os dois países.

Tais semelhanças se encontram, por exemplo, na ideia de justiça social, no combate à pobreza e na luta contra políticas colonizadoras modernas disse o embaixador à BBC Brasil.

A visita do líder iraniano vem sendo articulada há mais de dois anos. A proposta surgiu em janeiro de 2007, quando Lula e Ahmadinejad se encontraram no Equador, para a posse do presidente Rafael Correa. Até o fim do ano, o presidente brasileiro deverá visitar Teerã.