OMS passa a se referir à doença, que já atinge 11 países, como A(H1N1)

JB Online

EUA - Cedendo à pressão dos produtores de carne de porco e dos governos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou ontem que vai passar a se referir ao novo vírus de gripe que já contaminou 257 pessoas no mundo, causando pelo menos 8 mortes no México e nos Estados Unidos como influenza A(H1N1), e não mais gripe suína, como vinha fazendo.

Segundo a OMS, atualmente, a nação com maior número de casos da doença é os Estados Unidos, com 109. Lá ocorreu também a morte de um bebê mexicano, no Texas. No México há 97 casos confirmados, além de sete mortes. Já a América do Sul continua livre da doença, pois a confirmação de um caso no Peru foi posteriormente desconsiderada.

Ao todo, 11 países registraram casos do vírus A(H1N1) sendo o último deles a Holanda, com uma criança de 3 anos que esteve recentemente no México.

Uma pessoa que fez parte da delegação americana, que viajou há duas semanas ao México acompanhando o presidente Barack Obama, está com suspeita de ter contraído a gripe, informou ontem o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.

Em entrevista coletiva, Gibbs informou ainda que vários membros da família do funcionário da delegação de Obama também apresentam sintomas da doença.

Pelo menos 298 escolas dos EUA fecharam devido a possíveis contaminações pela gripe. No México, onde mais pessoas morreram, o presidente Felipe Calderón determinou que órgãos públicos e empresas não-essenciais parem de funcionar durante cinco dias a partir de hoje, em uma tentativa de conter um vírus que não distingue barreiras de idade ou classe social.

Não há lugar mais seguro do que o seu próprio lar para evitar ser contaminado pelo vírus disse Calderón em seu primeiro pronunciamento televisivo desde o início da epidemia.

Estados Unidos, Canadá e muitos outros países também alertaram os cidadãos a evitarem viagens que não são urgentes ao México. Muitos turistas que estão no país tentam antecipar a volta, lotando os aeroportos. Na Cidade do México, que tem 20 milhões de habitantes, todos os eventos públicos foram suspensos. Restaurantes, escolas e boates fecharam.

União Europeia

Os ministros da Saúde da União Europeia (UE), que se reuniram em caráter de emergência ontem em Luxemburgo para coordenar uma resposta ao surto, não conseguiram definir medidas unificadas de combate à nova influenza.

A Alemanha e vários outros países rejeitaram a proposta da França, que queria proibir todas as viagens a partir da União Europeia para o México. Assim, cada país decidirá sobre possíveis restrições em seus aeroportos. A Itália também viu rejeitada sua proposta de uma estocagem comum de antigripais e de uma eventual vacina, bem como de um programa comum de aquisição e gerenciamento desses produtos. Na opinião da ministra alemã da Saúde, Ulla Schmidt, cada país deve cuidar para que haja medicamentos suficientes para sua população.