PIB do México pode encolher até 1% por causa da gripe suína

Agência ANSA

CIDADE DO MÉXICO - O Banco Nacional do México (Banamex), filial do norte-americano Citigroup, estimou nesta terça-feira que a epidemia de gripe suína que atinge o país pode ocasionar uma retração de até 1% em seu Produto Interno Bruto (PIB).

De acordo com a entidade, se a epidemia se estender por mais três semanas, a economia mexicana já poderia encolher 0,1%.

Mas, caso o número de infecções continue a crescer por um período mais longo, as perdas podem chegar a 1%, considerando o impacto das medidas sanitárias adotadas por autoridades sobre a produção e o consumo no país.

A administração da capital Cidade do México, onde vivem quase 20 milhões de pessoas, ordenou o fechamento parcial ou total de estabelecimentos comerciais em que há grande concentrações de pessoas, como restaurantes, discotecas, cinemas, bares, academias, clubes e salões de festas.

Para a Câmara Nacional da Indústria de Restaurantes, a medida fará com que pequenas e médias empresas percam receita e tenham dificuldade para honrar compromissos junto a seus fornecedores mesmo depois que a epidemia seja totalmente contida.

O vice-presidente da entidade, Daniel Loaeza, disse que pelo menos 450 mil pessoas já deixaram de trabalhar desde que o governo impôs restrições ao funcionamento dos restaurantes. A maioria deles pode apenas entregar comida a domicílio.

Já o representante da Confederação Patronal da República Mexicana na Cidade do México, Juan de Dios Barba, precisou que o comércio da cidade tem um prejuízo diário de US$ 120 milhões devido à situação emergencial.

O ministro da Fazenda do México, Agustín Carstens, que está em Washington, reconheceu que a propagação da gripe suína terá um impacto "importante" na economia, que já sofre com os efeitos da crise econômica mundial e pode encolher até 3% em 2009, segundo estimativas oficiais.

Carstens considera, no entanto, que é necessário "esperar algum tempo para ter uma ideia melhor" das consequências da epidemia.

Até o momento, autoridades mexicanas investigam 152 mortes suspeitas que podem estar ligadas à gripe suína. No mundo, a doença se espalha. Subiu para 64 o número de casos nos Estados Unidos, onde o presidente Barack Obama pediu ao Congresso a liberação de um pacote de US$ 1,5 bilhão para reforçar o combate à enfermidade.

Também foram registrados contágios em Israel, Canadá, Espanha, Escócia e Nova Zelândia. Cerca de 100 pessoas estariam infectadas, no total. No Brasil, 20 possíveis casos são monitorados.

Devido à emergência, o governo mexicano suspendeu as atividades escolares até o dia 6 de maio. O prefeito da Cidade do México, Marcelo Ebrard, anunciou a criação de um fundo de US$ 10,7 milhões para ajudar famílias e empresas que forem prejudicadas pela epidemia.

A Basílica de Guadalupe, mais importante santuário católico do país, voltou a ter missas hoje, mas com duração reduzida, de 25 minutos, e celebradas em um altar improvisado, ao ar livre e com cadeiras dispostas separadamente, para evitar que os fiéis entrem em contato e transmitam a gripe.