Estudantes africanos anunciam manifestação em solidariedade ao papa

Agência ANSA

ROMA - Um comitê de estudantes africanos residentes em Roma está organizando uma manifestação na Praça São Pedro em solidariedade ao papa Bento XVI por suas mensagens destinadas à África e por suas afirmações sobre a luta contra a Aids.

Anunciado hoje pela Sala de Imprensa vaticana, o ato acontecerá no próximo domingo às 11h30 locais (7h30 no horário de Brasília).

Segundo os organizadores, a manifestação dirá "não à especulação na África, à instrumentalização da mensagem do Papa para o continente e à vontade de fazer da região um dos principais mercados de preservativos", e "sim às curas eficazes para a Aids na África e à educação".

A mensagem será destinada também à comunidade internacional para evidenciar "as prioridades absolutas do continente: dinheiro, água, energia, medicamentos, estabilidade familiar, sistema comercial que facilite também as exportações de produtos africanos, e não somente a exportação de matérias primas, a valorização da região e ações contra o saque dos recursos naturais", explica o documento.

Bento XVI visitou o continente africano entre os dias 17 e 23 deste mês. Uma viagem que ganhou repercussão internacional, principalmente, por suas declarações sobre o uso de preservativos.

Ao embarcar ao continente africano, o Papa defendeu uma renovação moral como forma de enfrentar a propagação do vírus HIV e disse que o uso de preservativos não resolve o problema, afirmações que geraram críticas de diversos setores da sociedade e de alguns governos.

Por sua parte, bispos italianos publicaram hoje um editorial no jornal Avvenire, da Conferência Episcopal Italiana (CEI), em apoio ao Pontífice.

O texto, intitulado Aids, interessante arrogância da França (e do Ocidente), afirma que as palavras de Bento XVI soaram escandalosamente, "em particular na França, às orelhas de ministros, porta-vozes governamentais e intelectuais, que acreditam, assim como o resto do Ocidente, que os preservativos são 'libertadores e salvadores".

"Em Paris ainda estão cultivando a ambição de dar lição ao Papa, a este Papa, que ousou convidar os povos africanos a levantarem a cabeça e a voz e a reconhecerem o papel das mulheres", defende o editorial.

Segundo o jornal, "estas críticas carregam um pouco da arrogância de que a África, como toda a região sul do mundo, sempre teve patrões".