Governo francês diz que não queria causar 'polêmicas' com papa

Agência ANSA

PARIS - O governo francês retomou nesta terça-feira a questão do uso dos preservativos, explicando que sua intenção não foi causar 'polêmicas', mas sim alertar sobre as consequências da afirmação do papa Bento XVI em relação às políticas voltadas à prevenção da Aids.

Ontem, o presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), cardeal Angelo Bagnasco, declarou que a Igreja não aceitará 'ofensas' contra o Papa, ao se referir às repercussões negativas das declarações do Pontífice, feitas em viagem à África, sobre o uso e distribuição de preservativos.

Bagnasco também classificou essas repercussões como 'zombadas' e 'vulgares', não só por parte da mídia, mas também por 'alguns políticos europeus' e 'organismos internacionais' e esclareceu que a viagem do Pontífice, que tinha o intuito de 'levar uma mensagem de paz e reforçar o empenho dos católicos' no continente, recebeu atenção 'por uma polêmica sobre preservativos'.

- Não queremos nenhuma polêmica. Dissemos apenas, e repetimos, que a frase do Papa sobre o uso dos preservativos pode gerar consequências dramáticas à política mundial em favor da saúde - disse hoje o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores francês, Eric Chevallier.

- Nunca dissemos que o preservativo é a única solução ao problema. Existem outras, a assistência médica, a social, os testes para individualizar a presença do vírus, o acompanhamento psicológico. Mas o preservativo faz parte destes elementos de resposta. Todos os discursos que vão à direção contrária, principalmente de pessoas que tenham grande influência, vão contra o interesse da saúde pública - continuou o porta-voz, que havia expressado 'a fortíssima preocupação' da França pela declaração do Pontífice.

Por outro lado, dirigentes italianos, como o ex-premier e ex-presidente Francesco Cossiga, e o fundador da Comunidade italiana de Sant'Egidio, Andrea Riccardi, defenderam Bento XVI e sua postura em relação ao tema.

Em carta enviada à CEI, Cossiga explica que adere plenamente 'aos ensinamentos confirmados por Sua Santidade em sua pastoral destinada aos povos africanos' e às corajosas palavras pronunciadas por Bagnasco, 'memórias do ensinamento deixado por São Tomás Moro, patrono dos governantes e dos políticos'.

Riccardi também comentou as criticas feitas ao Papa.

- Em relação a Bento XVI, há um verdadeiro conformismo da crítica. Também o papa João Paulo II recebeu no início (de seu pontificado) críticas fortíssimas, inclusive de dentro da Igreja. Ele foi acusado de querer 'polonizar' o Catolicismo - afirmou Riccardi em entrevista à imprensa italiana.

Para ele, é preciso dar ao Papa confiança, crédito e tempo para que possa explicitar completamente o seu ministério.