Execuções da pena de morte duplicaram em 2008

Jornal do Brasil

NAÇÕES UNIDAS - O número de execuções cresceu mais de 90% mundialmente e chegou a 2.390 no ano passado, sendo China, o Irã, a Arábia Saudita, o Paquistão e os Estados Unidos responsáveis por mais de 90% delas. Segundo relatório da Anistia Internacional divulgado ontem, só a China promoveu 72% de todas as execuções feitas no ano passado. Os dados foram colhidos pela organização internacional junto a governos, grupos de direitos humanos, tribunais e reportagens na mídia.

A situação geral [na China] é cercada de segredos, e os números podem ser muito, muito maiores ressaltou Irene Khan, secretária-geral da Anistia Internacional, à agência Reuters.

Segundo Irene, o crescimento das execuções se deve em parte à mudança no sistema judiciário chinês, onde houve um acúmulo de casos.

A China executou pelo menos 1.718 pessoas. Mas a organização considera que o número está subestimado, já que Pequim não divulgaria os dados completos.

No ano passado, os tribunais chineses pronunciaram mais de 7 mil sentenças de morte. Dessa forma, não se cumpriu a expectativa de que a escolha da China para sediar os Jogos Olímpicos fosse provocar mudanças na política de direitos humanos de Pequim. Para a Anistia Internacional, o país mais populoso do planeta continua a ser o cruel campeão mundial da pena capital .

O fato de o número de execuções ter aumentado consideravelmente no ano das Olimpíadas surpreendeu também especialistas.

Ásia

A Ásia é o continente com mais execuções, com 11 países Afeganistão, Bangladesh, China, Indonésia, Japão, Coreia do Norte, Malásia, Mongólia, Paquistão, Cingapura e Vietnã que aplicam a pena capital.

O Irã executou pelo menos 346 pessoas; a Arábia Saudita, 102; e o Paquistão, 36, segundo o relatório. O Japão executou 15 pessoas no ano passado número mais alto desde 1975.

Apesar disso, a entidade disse que há sinais evidentes de que os Estados Unidos estejam se afastando da pena de morte, com a execução de 37 pessoas número mais baixo desde 1994. Depois de a Argentina ter abolido a pena de morte, a organização acredita que há um claro movimento rumo à abolição também na Ásia central.

A Ásia central está agora virtualmente livre da pena de morte, após a abolição da pena de morte no Uzbequistão , observou a Anistia. Bielo-rússia é o último país na Europa e da ex-União Soviética que ainda promove execuções responsável por quatro execuções em 2008.

África

Na África, a Libéria reintroduziu a pena de morte no ano passado, mas Botsuana e Sudão foram os dois únicos países onde se sabe que houve execuções.

Dois terços das nações do planeta já renunciaram à pena de morte. Dos 59 países em que a medida segue em vigor, apenas 25 a aplicam.