Estados Unidos querem estratégia de saída do Afeganistão

REUTERS

BRUXELAS - Os Estados Unidos se reuniram com aliados da Otan nesta segunda-feira para apresentar sua revisão de política para o Afeganistão, que, segundo o presidente Barack Obama, vai conter uma estratégia de saída e uma ênfase maior sobre o desenvolvimento econômico.

Com a violência em alta antes das eleições em agosto, Obama já destinou 17 mil soldados adicionais para o Afeganistão, mas no domingo falou que a força militar, por si só, não poderá pôr fim à guerra.

- O que não podemos fazer é pensar que uma abordagem unicamente militar no Afeganistão vai poder resolver nossos problemas - disse ele em entrevista ao programa "60 Minutes", da TV CBS.

- Então estamos procurando uma estratégia abrangente. E é preciso haver uma estratégia para a saída... é preciso haver a idéia de que esse movimento não será perpétuo.

Os resultados de uma revisão abrangente da política para o Afeganistão e Paquistão são aguardados para em breve. Autoridades já disseram que a revisão vai incluir mais coordenação com os outros envolvidos do que era praticada pela administração Bush.

Em Bruxelas, o representante especial dos EUA para o Afeganistão e Paquistão, Richard Holbrooke, se reuniu na segunda com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jaap de Hoop, antes de fazer um briefing para os embaixadores dos 26 países da aliança.

- É para apresentar as linhas gerais da revisão da estratégia dos EUA, do modo como está no momento - disse o porta-voz da Otan James Appathurai.

- Não sei se já chegaram a conclusões finais às quais o presidente Obama tenha dado seu selo de aprovação, mas o pensamento deles agora está muito perto da conclusão do processo.

Appathurai disse que não tinha conhecimento da existência de um plano, mencionado pelo jornal britânico The Guardian, para que Washington e seus aliados criassem um executivo-chefe ou primeiro-ministro afegão para passar ao lardo do presidente Hamid Karzai, largamente visto no Ocidente como ineficaz.

Obama já disse que os EUA e seus aliados não estão vencendo no Afeganistão e ordenou o envio de 17 mil soldados adicionais, além dos 38 mil que já estão no país, para ajudar a derrotar o Taliban ressurgente e estabilizar o país.

Outros países têm cerca de 30 mil soldados ajudando o governo de Cabul, sob o comando da Otan e dos EUA, mas a maioria tem relutado em enviar mais tropas.

As forças lideradas pela Otan estacionadas nas províncias do sul e leste do Afeganistão, que fazem fronteira com o Paquistão, estão sobrecarregadas, e muitas das tropas norte-americanas adicionais serão enviadas a essas áreas para reforçar os esforços para frear a atividade insurgente na fronteira porosa entre Afeganistão e Paquistão.

Nesta segunda-feira, oito policiais foram mortos por insurgentes do Taliban quando faziam patrulha na província de Kandahar, no sul, num distrito vizinho à fronteira com o Paquistão, disse o Ministério do Interior.

Obama disse que a "fronteira desestabilizadora" entre Afeganistão e Paquistão é um grande desafio militar. Acredita-se que líderes da Al Qaeda e do Taliban estejam escondidos na região inóspita, usando-a como "plataforma" desde a qual lançar ataques no Afeganistão.

- Vai ser um trabalho difícil de resolver. Mas não é aceitável que simplesmente fiquemos parados, sem nada fazer, deixando que terroristas façam planos e conspirações em refúgios seguros - disse ele.

Em Bruxelas, o enviado norte-americano Richard Holbrooke disse que está sob estudo uma campanha mais ampla para proteger civis, além de um aumento significativo nas dimensões da força policial afegã. Outras idéias incluem contraterrorismo, o treinamento das forças afegãs e uma investida de contra-insurgência no sul e leste do Afeganistão.

Como parte da nova estratégia, centenas de funcionários civis do governo americano também seriam enviadas ao Afeganistão.