Metade dos uruguaios quer referendo sobre Lei de Caducidade

Agência ANSA

MONTEVIDÉU - Metade dos uruguaios é a favor da realização de uma consulta popular sobre a Lei de Caducidade nas próximas eleições presidenciais, que acontecerão em outubro, indicou uma pesquisa da consultoria uruguaia Cifra.

A Lei de Caducidade, que determina um tempo limite para a prescrição dos crimes, anistiou agentes acusados de violação dos direitos humanos durante a ditadura militar que governou o país entre 1973 e 1985.

A pesquisa indica que 50% dos uruguaios aprovam a realização de um referendo sobre a lei, enquanto 42% asseguram que, caso o pleito seja realizado, irá votar a favor da anulação da lei.

Sancionada em 1986, durante o governo democrático de Julio Sanguinetti, a norma foi ratificada três anos depois em plebiscito.

O estudo da consultoria revela que 25% dos uruguaios são contrário à consulta, enquanto outros 25% admitiram não ter uma opinião formada sobre a questão. Cerca de 27% dos uruguaios disseram que, em caso de votação, optariam por não anular a lei, enquanto 31% não se posicionaram sobre o tema.

A pesquisa também revela que, entre os entrevistados que apoiam a coalizão governista Frente Ampla, 67% se manifestaram a favor da anulação da lei e 15% optaram por mantê-la.

Por outro lado, entre os militantes do opositor Partido Nacional, 22% são a favor da abolição da lei e 41% querem mantê-la.

Recentemente, tem ganhado força no Uruguai a campanha organizada pela central sindical PIT-CNT e por organizações de direitos humanos para coletar assinaturas para reivindicar a realização do referendo nas próximas eleições, em 25 de outubro.

A campanha já coletou mais de 235 mil assinaturas e pretende alcançar os requisitos necessários para obter o direito à realização do pleito antes da data limite para apresentá-las no Tribunal Eleitoral, em 25 de abril.