EUA devem suspender em breve proibição de contatos com Irã

Sue Pleming, REUTERS

WASHINGTON - O governo do presidente norte-americano, Barack Obama, deve relaxar em breve as restrições contra contatos entre autoridades dos Estados Unidos do Irã, disse uma fonte próxima ao assunto, que pediu anonimato por ainda não haver definição sobre o assunto.

De acordo com essa fonte, porém, a ideia do governo Bush de abrir uma representação diplomática em Teerã por enquanto está 'fora da mesa'.

O plano é fazer gestos pequenos, mas significativos, incluindo um convite para que o Irã participe de uma conferência sobre o Afeganistão neste mês, e permitir que diplomatas dos EUA visitem autoridades iranianas sem antes terem de pedir aprovação do governo norte-americano, como ocorre há quase 30 anos.

- Esses contatos podem ser em todas as categorias - disse a fonte, acrescentando que a revisão do assunto ainda não foi concluída e que o presidente Barack Obama ainda não assinou nada.

Fontes diplomáticas e analistas dizem que o fim dessas restrições para contatos de baixo e médio escalão tem sido discutido há algum tempo, e que a medida é vista como um primeiro passo para um envolvimento de mais alto nível.

Os EUA romperam relações com o Irã durante o sequestro de 52 funcionários diplomáticos na embaixada norte-americana em Teerã, que durou 444 dias.

No ano passado, o encarregado de assuntos iranianos no Departamento de Estado se reuniu com seu homólogo como parte de discussões multilaterais a respeito do programa nuclear da República Islâmica. A reunião só foi aprovada após muito debate dentro do governo Bush.

Também houve reuniões entre os embaixadores dos EUA e do Irã no Iraque, e contatos acerca do Afeganistão. O governo Bush chegou a cogitar a abertura de uma seção de interesses em Teerã, como existe em Cuba, mas decidiu deixar a questão em aberto para seu sucessor.

Uma seção de interesses é uma espécie de embaixada na ausência de relações diplomáticas entre dois países, e tê-la significaria a presença de diplomatas norte-americanos em Teerã pela primeira vez em 30 anos.

Diplomatas e a fonte familiarizada com as discussões disseram que o governo Obama deve concluir a revisão da situação nas próximas semanas, mas não cogita mais abrir a seção de interesses.