Cristina Kirchner chega a São Paulo em momento delicado

Agência ANSA

SÃO PAULO - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, chega nesta quinta-feira ao Brasil, acompanhada de uma recheada comitiva, que inclui alguns de seus principais ministros, governadores de importantes estados do país e 500 empresários.

A visita ocorre em um momento delicado, marcado pela tensão ligada ao aumento no controle de importações anunciado por Buenos Aires no início do mês. A medida, tachada de protecionista, foi amplamente contestada pelos setores industriais de Brasil, Uruguai e Paraguai, seus três sócios no Mercosul.

O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, reconhece que Cristina chega ao país em um momento que não é o mais adequado , mas reitera que um eventual adiamento da visita soaria mal.

- Esta reunião terá um caráter mais político e menos econômico, porque os ânimos estão acirrados - afirma ele. - Mas cancelar a visita poderia piorar o clima.

A Chancelaria de Buenos Aires fez um esforço para excluir da pauta a contenda comercial com o Brasil. Reuniões de empresários inicialmente marcadas para amanhã e sexta para discutir especificamente negociações comerciais foram adiadas.

O objetivo é não correr o risco de que uma saia justa seja criada diante da presidente em São Paulo, onde ela participa de um seminário organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Por este motivo, o professor Paulo Edgar Almeida Resende, coordenador do Núcleo de Análise de Conjuntura Internacional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), indica que o encontro entre Cristina e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na sexta-feira, deverá mesmo ter uma agenda mais centrada em temas globais.

Em entrevista à ANSA, o especialista sustenta que o lado argentino buscará imprimir um tom político às conversas, que devem se basear na cooperação e no alinhamento de posições. Discussões comerciais, segundo ele, estarão incluídas em questões maiores, como a crise e as cúpulas do G20 e das Américas, para as quais os dois países precisarão apresentar uma pauta alinhada .