Uruguai: Vázquez admite avanço com Argentina, mas veta Kirchner na Una

Agência ANSA

MONTEVIDÉU - O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, disse nesta quarta-feira que existem "sinais" que demonstram melhora nas relações com a Argentina, mas descartou apoiar a indicação do ex-presidente do país Néstor Kirchner para a secretaria-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

Vázquez lembrou que a ponte binacional General San Martín, epicentro de uma crise diplomática entre os dois países há mais de dois anos, continua bloqueada. Apesar disso, ressaltou que "há sinais muito positivos que devem ser lembrados".

Como exemplo, citou a colaboração da Argentina em obras realizadas no canal Martín García, situado no Rio da Prata, e que também vinha sendo um ponto de atrito bilateral.

Buenos Aires e Montevidéu divergem quanto à instalação e o funcionamento de uma fábrica de pasta de celulose na margem do Rio Uruguai, que delimita a fronteira entre os dois países.

A unidade, construída na cidade uruguaia de Fray Bentos, pertence ao grupo finlandês Botnia. Do lado argentino, no município de Gualeguaychu, ambientalistas bloqueiam a ponte binacional há mais de dois anos para protestar contra a presença da fábrica, que estaria poluindo o ambiente.

O impasse chegou ao Tribunal Penal Internacional (TPI), sediado em Haia, que deve dar um veredicto em 2010. Recentemente, por considerar que Néstor Kirchner foi condescendente com os manifestantes durante seu governo, Vázquez se negou a apoiar sua candidatura à secretaria da Unasul.

Como o nome indicado precisa ter o respaldo unânime dos 12 países-membros do bloco, a postura uruguaia na prática impede a designação de Kirchner para o cargo.