Cuba: Chanceler garante que não haverá mudança na política externa

Agência ANSA

HAVANA - O novo ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou nesta quarta-feira que sua nomeação não representa "nenhuma mudança, e sim continuidade" na política externa adotada pelo país desde 1959, ano em que o ex-presidente Fidel Castro chegou ao poder.

Rodríguez era o vice do agora ex-chanceler Felipe Pérez Roque, que permaneceu no cargo durante 10 anos e foi destituído na ampla reforma ministerial promovida pelo governo no início do mês.

Em sua primeira entrevista coletiva como ministro, Rodríguez indicou ainda que seu predecessor "continua militando" no Partido Comunista Cubano.

A exemplo de Roque, outra importante figura do gabinete do presidente Raúl Castro, o então secretário do Conselho de Ministros, Carlos Lage, também foi afastado do governo.

As mudanças, que incluíram a destituição de uma dezena de funcionários de alto escalão de Havana e a fusão de ministérios, foram justificadas com o argumento de que tornariam a máquina pública mais eficiente.

Em um artigo divulgado um dia depois do anúncio da reforma, o ex-presidente Fidel Castro acusou alguns dos políticos afastados de terem exercido um "papel indigno" ao se deixarem envolver pela "ambição do poder". As declarações foram interpretadas como referências indiretas a Roque e Lage.

Ao divulgarem duas cartas de conteúdo parecido, ambos os funcionários reconheceram seus "erros" e colocaram os respectivos cargos à disposição, inclusive os postos que ocupavam na hierarquia do Partido Comunista.

Europa

Rodríguez, que foi embaixador de Cuba junto à Organização das Nações Unidas (ONU), recebeu nesta quarta-feira em Havana o comissário da União Europeia para o Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Louis Michel.

Durante o encontro, foi agendada para maio, em Bruxelas, uma reunião diplomática para promover o diálogo político entre Cuba e UE, que iniciaram uma reaproximação no fim do ano passado.

- Dados os progressos alcançados, é possível continuar avançando para o estabelecimento de um novo marco de relacionamento entre a UE e Cuba - disse Rodríguez.

O representante europeu, por sua vez, ressaltou que as relações bilaterais passam por um momento de "dinâmica positiva".

- Cada vez que venho [a Cuba], os vínculos são muito mais fortes - sustentou.

O diálogo entre Cuba e UE foi retomado em outubro de 2008, com uma reunião realizada em Paris. Antes, o bloco havia decidido suspender definitivamente as sanções que impunha à ilha caribenha desde 2003.

Nesta quinta, Michel participará de uma conferência sobre cooperação entre a Comissão Europeia, braço executivo da UE, e Cuba. O evento será inaugurado pelo ministro para o Investimento Estrangeiro e Colaboração Econômica de Cuba, Rodrigo Marmierca.