Comissão de Aids da Itália defende o uso de preservativos

Agência ANSA

ROMA - As declarações do papa Bento XVI sobre a ineficácia do uso de preservativos no combate à Aids foram criticadas por membros da Comissão de Aids da Itália, que as considerou "erradas, irresponsáveis e perigosas".

As discussões em relação ao tema começaram quando o Papa, a bordo do avião que o levava para a África, afirmou que a Aids "é uma tragédia que não pode ser superada com o dinheiro e nem com a distribuição de preservativos, os quais podem aumentar os problemas", defendendo que a doença só pode ser curada com uma renovação moral no comportamento humano.

As declarações do Pontífice foram publicadas ontem no site da Santa Sé e, hoje, foram alteradas.

Agora, na página do Vaticano as declarações de Bento XVI são:

- Diria que não se pode superar este problema da Aids apenas com slogans publicitários. Se não há vontade, se os africanos não se ajudam, não se pode resolver o flagelo com a distribuição de preservativos: ao contrário, o risco é de aumentar o problema.

Em entrevista ao jornal médico italiano Il Bisturi, o professor de medicina da Universidade San Raffaele, de Milão, Adriano Lazzarin, lembra que a importância do uso de preservativos para evitar a disseminação do vírus HIV, "é um dado consolidado e compartilhado pela comunidade científica".

No entanto, Lazzarin reconhece que os preservativos "não são garantia completamente de proteção, dependendo da forma como são usados, sobretudo em contextos como o africano". O professor explica que para o combate eficaz à Aids é preciso "batalhas em diversas frentes".

Já o professor Antonio Siccardi, da Universidade de Milão, aponta uma alternativa aos preservativos. "Trata-se de substâncias de ação pontual que as mulheres podem inserir na vagina por meio de cápsulas para, dessa forma, ficarem protegidas da infecção".

Siccardi explica que o método já foi testado em macacos e está em fase de pré-experimentação em seres humanos.