Premier da Coreia do Norte elogia liderança regional da China

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PEQUIM - O primeiro-ministro da Coreia do Norte, Kim Yong-il, elogiou nesta terça-feira a liderança regional da China, antes de embarcar para uma visita que reforça a abordagem branda de Pequim com relação aos planos de Pyongyang de testar mísseis de longo alcance.

Kim não tem parentesco com o líder supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-il, e detém pouco poder militar, mas sua visita de cinco dias sinaliza o desejo da China de seduzir seu vizinho comunista, enquanto outras potências alertam contra os planos norte-coreanos de lançar um foguete entre 4 e 8 de abril.

Pyongyang diz que o foguete transportará um satélite. Mas Japão, Coreia do Sul e EUA dizem que na prática se trata do teste de um míssil balístico, supostamente capaz de atingir o Alasca. A China, enquanto isso, se limita a discretos apelos por boa-vontade dos envolvidos.

Em entrevista ao jornal chinês Diário do Povo, Kim afirmou que Pequim é uma âncora diplomática para seu país num momento de turbulência.

- A Coreia do Norte se sente satisfeita com as relações vigorosamente amistosas com a China durante as atuais tendências internacionais complexas e variáveis - disse o premier numa entrevista por escrito ao jornal antes de embarcar.

Tal ligação, acrescentou ele, faria 'uma real contribuição para garantir a paz e a estabilidade da península coreana, da região nordeste da Ásia e do mundo.'

Outros governos entendem que o lançamento do foguete violaria as sanções previstas numa resolução adotada pelo Conselho de Segurança da ONU em 2006, após outro teste de míssil norte-coreano.

Em outro fato com potenciais repercussões, o partido governista do Japão sugeriu uma proibição total de exportações para a Coreia do Norte. A medida deve ser discutida nas próximas semanas, junto com atuais sanções contra Pyongyang, inclusive uma proibição de importações, que expira em 13 de abril.

- Mesmo que um lançamento não ocorra, achamos que mais medidas deveriam ser consideradas em resposta a qualquer ação provocativa - disse a jornalistas Keiji Furuya, presidente de uma comissão do Partido Liberal Democrático japonês.

Mas a China até agora evitou até mesmo as ameaças veladas, preferindo pedir mais empenho aos países envolvidos na negociação sobre o programa nuclear norte-coreano (EUA, Rússia, Japão, as duas Coreias e a própria China).

- Acreditamos que proteger a paz e a estabilidade da península e do norte da Ásia serve aos interesses de todos os envolvidos - disse a jornalistas Qin Gang, porta-voz da chancelaria, nesta terça-feira.